“Mas quem lavará? Quem cozinhará?”: As Princesas Disney como trabalhadoras e subalternas.

Você está em uma festa infantil. A aniversariante tem entre 3 e 10 anos e é do sexo feminino. São grandes as chances que o tema da festa seja alguma (ou o conjunto) das princesas Disney. Corta. Você está em uma loja de brinquedos e passa pela seção de “brinquedos para meninas” (!). Duas coisas são percebidas imediatamente: a maior parte das caixas é rosa; boa parte dessas são brinquedos derivados dos filmes das princesas Disney. Corta. Você pergunta para uma menina dentro dessa faixa etária quais são as histórias favoritas dela. É possível afirmar que a maior parte delas vai mencionar alguma das princesas.

Os produtos culturais destinados ao público infantil, ao contrário daqueles que são produzidos para o “mundo adulto” (livros, filmes, séries etc), são objetos de crítica com uma frequência assustadoramente reduzida. A grande exceção à regra, a qual deve ser reconhecida e saudada, é a crítica feminista aos papéis de gênero desenvolvidos e divulgados pelos filmes infantis, em especial os desenhos produzidos pela Disney, tendo evidente destaque a franquia das “Princesas Disney”. Nos últimos anos, somaram-se a essas críticas de matriz feminista também análises acerca dos modelos raciais presentes nesses desenhos.

Em 2000, a divisão de produtos e licenciamento da Disney (Disney Consumer Products) decidiu agrupar as inúmeras princesas representadas em seus filmes em uma única marca, as “Princesas Disney”. O responsável por essa genial ideia foi Andy Mooney, ex-executivo da Nike e recém-empossado presidente da DCP. Segundo o próprio, ao assistir a um show do Disney on Ice após assumir o novo posto, Mooney viu-se “cercado por garotinhas vestidas da cabeça aos pés como princesas”. Reconhecendo ali uma oportunidade única – uma “demanda latente” – o executivo percebeu que as vestimentas não eram produtos licenciados, mas fantasias de Halloween adaptadas. A resposta foi imediata, estabelecendo padrões e licenciando os direitos para “colocar para fora tanto produto quanto for possível para permitir que essas meninas façam o que elas já estão fazendo de qualquer jeito: projetando-se nas personagens dos filmes clássicos”.

O sucesso de tal decisão é inegável: em poucos anos as vendas de produtos da franquia passaram de $300 milhões para $3 bilhões. Em 2011, a franquia ficou em primeiro lugar na lista dos produtos baseados em personagens mais vendidos na América do Norte – como filmes, livros, torradeiras, comida congelada etc, atingindo o número de 25.000 produtos -, à frente de franquias como Star Wars.

O conjunto reunia, inicialmente, as seis “princesas clássicas” dos filmes Disney – Branca de Neve (1937), Cinderela (1950), Aurora (1959), Ariel (1989), Bela (1991) e Jasmine (1992).

“Existe uma princesa em toda menina”.

“Existe uma princesa em toda menina”.

Tendo em vista esse estrondoso sucesso, a Disney vem ampliando a cada novo lançamento cinematográfico o seu elenco de princesas, sendo sua principal diretriz que qualquer personagem feminina é uma potencial princesa. Assim, ao time principal juntaram-se Pocahontas (1995), Mulan (1998), Tiana (2009) e Rapunzel (2010), além de inúmeras experiências com outras protagonistas e coadjuvantes, como Alice (de Alice no País das Maravilhas, 1951), Sininho (Peter Pan, 1953), Dot (Vida de Inseto, 1998) e Jessie (Toy Story 2, 1999) – estas posteriormente excluídas do conjunto – entre outras. As últimas adições incluem Merida (do filme Valente, 2012) e Anna (do anunciado Frozen, 2013).

As titulares.

As titulares.

Do acima exposto, deve-se reconhecer não só a pertinência das análises que se debruçam sobre esse tema, mas também a importância fundamental da crítica de matriz feminista nesse âmbito. Contudo, parece escapar completamente aos críticos uma avaliação mais global de tais produtos culturais, abarcando não só os papéis de gênero e os modelos raciais em uma mesma avaliação, mas o fazendo sem deixar de lado questões tão fundamentais como a visão sobre o trabalho, a ideia de redenção religiosa e o conflito de classe ali representados.

Tal crítica seria capaz de demonstrar que tanto os tradicionais papéis de gênero quanto os modelos raciais não são elementos estanques, mas compõe com os outros aspectos mencionados uma totalidade de relações, uma globalidade. O que se pretende aqui, com alguma brevidade, é explorar um dos elementos centrais de tal crítica: a ideia de trabalho neles expressa e representada.

Uma vez que o conjunto que identificamos como “princesas clássicas” – ainda que não homogêneo – dispõe de centralidade não apenas por seu caráter pioneiro, mas também por representar um modelo clássico que funciona como a referência primordial para os novos filmes, tanto no que estes conservam quanto no que transformam do modelo, podemos restringir nossa análise a esse conjunto (formado por Branca de Neve, Cinderela, Aurora, Ariel, Bela e Jasmine).

Nos filmes acima selecionados, o trabalho aparece sempre duplamente caracterizado: em sua generalidade, é sempre ação subalterna (não-aristocrática), em sua especificidade, isto é, como trabalho doméstico – a forma de trabalho primordialmente representada nessas produções – é a ação feminina por excelência. Isto é, o trabalho (doméstico) é sempre uma condição que se impõe às personagens de origem nobre, mas que, por motivos diversos, perderam (temporariamente) essa condição. O mesmo jamais acontece com os personagens masculinos, mesmo quando esses não desfrutam de uma posição aristocrática.

Assim, em Branca de Neve e os Sete Anões os anões trabalham, mas este nunca é trabalho doméstico – ao contrário, o trabalho nas minas aparece como um momento festivo para os anões. Por outro lado, Branca de Neve não apenas desempenha trabalho doméstico como este é a condição primária para a concessão de seu refúgio entre os anões. Frente à recusa e temor dos anões de que a Rainha descubra que Branca de Neve está em sua casa, a menina argumenta: “Se me deixarem ficar, eu tomo conta de tudo. Eu lavo, varro, costuro e cozinho”. A resposta dos anões é tão honesta quanto perversa: “Cozinha? E sabe fazer […] Torta de maçã? […] Bons pudins? Viva! Então fica!”.

Em Cinderela encontramos apenas um personagem masculino não-aristocrata (o serviçal que acompanha o Grão-Duque) que trabalha, e este é a todo momento ridicularizado, principalmente pelas mulheres. Todos os outros personagens masculinos representados no filme – o Rei, O Príncipe e o Grão-Duque – não desempenham qualquer tipo de trabalho. Cinderela, por sua vez, é o modelo da serviçal doméstica, a “gata-borralheira”, apresentada na maior parte filme desempenhando trabalhos como limpar e servir para a madrasta e suas filhas.

A Bela Adormecida dá continuidade a essa sequência, reservando o papel de trabalhador exclusivamente para Aurora. Ao contrário do que ocorre nas produções anteriores, a situação aqui é mais sutil: o filme não apresenta com tanta ênfase Aurora desempenhando trabalho doméstico, mas deixa implícito que essa era a situação corrente. Isso ocorre, por um lado, ao apresentar a total incapacidade das fadas madrinhas em desempenhar trabalho doméstico (sua tentativa de preparar uma surpresa por ocasião aniversário de 16 anos de Aurora preparando um bolo e um vestido tem consequências trágicas, além de ser pontuada por observações de uma das fadas que elas não sabem cozinhar ou costurar) e, por outro lado, por apresentar Aurora como a única habitante da casa que, por breves momentos, aparece desempenhando tais funções, como limpar o chalé – tarefa que Aurora desempenha em sua primeira aparição no filme como uma adulta – e colher flores.

Ariel e Jasmine poderiam ser caracterizadas como exceções ao modelo, uma vez que jamais assumem o papel de trabalhadoras, mas isso ocorre meramente porque jamais perdem a condição de nobreza (Ariel quando é transformada em humana permanece sendo reconhecida como uma aristocrata e Jasmine, quando foge do Palácio e brevemente se aventura pelas ruas de Agrabah, assume o papel de ladra). Tal ideia se confirma quando observamos que A Bela e a Fera – lançado entre os outros dois filmes) retoma o modelo, ao nos apresentar o processo de transformação de Bela em uma princesa marcado por processo simultâneo de distanciamento do trabalho.

Contudo, o que deve ser o foco primordial de nossa atenção é que mesmo o trabalho restrito a determinada posição de classe jamais é criticado pelas próprias personagens femininas. Ao analisarmos as Princesas Disney como um conjunto – o que elas de fato são – encontramos uma imputação do trabalho alienado (compulsório e sem sentido para os sujeitos que o desempenham) às figuras femininas em posição subalterna, isto é, não-aristocrática. Tal atribuição admite, contudo, uma posição crítica incipiente, mas que emerge sempre da consideração de outros personagens da real condição das princesas (isto é, aristocratas que, temporariamente, perderam sua posição de classe). De forma congruente, a solução encontrada por essa crítica não é jamais uma recusa do trabalho ou a sua recolocação em outras bases, um desafio ou uma transformação ao status quo, mas a recuperação individual (ou ganho) da condição aristocrática como forma de afastamento/alheamento do trabalho, pelas mãos do príncipe encantado. O modelo expresso por essas produções dirigidas ao público infantil é de uma forma de trabalho que existe como responsabilidade primordial e exclusiva das mulheres, situação que impede qualquer possibilidade de contestação ou transformação efetiva.

No quadro de referências criado pela Disney e propagandeado em inúmeras outras produções a agência é sempre um atributo do masculino que resgata as mulheres de uma condição trágica ou desagradável (nos casos aqui considerados, o trabalho doméstico). Trata-se de representar, de maneiras diversas, a libertação feminina (de variadas formas de dominação) não como uma conquista das mulheres, mas como uma concessão dos homens, não como projeto coletivo, mas como ocorrência singular.

Que esperança resta frente a uma máquina de fazer dinheiro e encantar crianças como as Princesas Disney? De início, é possível dizer que nenhum tipo de solução pode ser encontrada em uma oposição frontal. A supressão completa das princesas do quadro de referências culturais de uma criança ocidental, que viva em uma grande cidade e tenha nascido no século XXI é, se não impossível, certamente prejudicial e autoritária.

Diante desse quadro, a crítica a papéis de gênero tradicionais e à visão do trabalho a eles vinculada não emerge por si só, mas depende justamente da ubiquidade de objetos que fomentem o desenvolvimento dessa crítica. Nesse sentido, as Princesas Disney podem existir como um importante laboratório para a própria crítica. Ao expressarem um modelo simples que pode ser internalizado até mesmo por crianças muito pequenas, criam também um modelo simples o suficiente para ser criticado por essas mesmas crianças. Nesse sentido, a principal tarefa dos adultos é fomentar e disponibilizar os instrumentos para a elaboração de tal crítica. Às crianças cabe o seu desenvolvimento, e este pode ser surpreendente.

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Sobre Paulo Pachá

Mestre em História pela UFF. Professor, comunista e medievalista.
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23 respostas para “Mas quem lavará? Quem cozinhará?”: As Princesas Disney como trabalhadoras e subalternas.

  1. vicente guidoreni disse:

    Excelente texto, Paulo!

  2. Eu estava super ansiosa pra esse texto sair, é uma discussão e tanto :)

    Uma questão interessante é que, desde a Mulan, a Disney tem feito princesas que destoam do estereótipo Cinderela, mas esse lance da nobreza quase sempre permanece. Eu gostei muito de Valente, mas a Mulan é realmente genial. Fiquei curiosa pra saber sua análise sobre essas histórias mais recentes.

    • Paulo Pachá disse:

      Bárbara, eu acho que existe um corte grande que é ensaiado com a Ariel e Jasmine, mas que tem na Bela um recuo explícito. Como eu argumentei no texto, não acho que nenhuma das três transcenda o modelo, mas é um ensaio de alguma transformação.

      O filme seguinte é Pocahontas, que eu vi quando era criança e espero nunca mais rever. Estou torcendo para a Catarina passar direto por esse. Do pouco que eu lembro e do que li sobre o filme, ele mantém a mesma linha dos filmes anteriores.

      Em seguida temos Mulan, Tiana, Rapunzel e Merida. Mulan é algo que eu não consigo enquadrar ainda. Porque é, de fato, uma ruptura muito grande com todos os filmes anteriores – como você sabe, não tem nem príncipe, ainda que tenha par romântico. Mas eles não se casam, ainda que isso fique implícito. A minha hipótese inicial é que ela não foi pensada na mesma linha das Princesas (como foram, obviamente, a Bela, Jasmine, Tina e Rapunzel). Acho (e aqui é puro chute mesmo) que essa vinculação é muito posterior ao filme, e é justamente por isso que ela destoa completamente do conjunto. Isso aparece não só nas imagens (quando ela aparece com a roupa que rejeita no filme) como na própria história. Todas as outras são princesas de fato (seja por nascimento ou por matrimônio), menos ela. Ainda assim, eu sou bem menos otimista em relação ao filme do que você, mas é uma crítica que não se confunde com a crítica às Princesas (ainda que tenha muitos pontos convergentes).

      As princesas posteriores (Tiana, Rapunzel e Merida) expressam uma transformação sem nenhuma dúvida. Mas é uma transformação que tem problemas em (ou que não quer) perder muito da tradição, então os problemas continuam. Mais importante do que isso, esses filmes mostram que a Disney passou a ouvir as críticas (e isso é uma vitória grande das feministas) e tentar utilizá-las a seu favor (uma atitude que não é incomum). Nesse sentido, a Merida é o ápice desse movimento de transformação e talvez seja, de fato, uma ruptura. Mas é preciso enfatizar que não é uma produção Disney, mas Pixar (ainda que me escape se isso significa independência criativa de fato). De toda forma, a tensão entre ruptura e tradição está presente ali e, no final das contas, o preço dessa tensão foi um roteiro mediano.

      Não é por acaso que a minha análise sobre os filmes mais recentes é mais incipiente, mas isso acontece justamente porque esses filmes atraem menos a Catarina. Essas princesas são menos divulgadas que as clássicas e o impacto disso eu percebo de forma imediata na variação do interesse dela. Espero conseguir tratar melhor dessas questões posteriormente (menos da Pocahontas!) e como essas personagens vão continuar no meu cotidiano através da Catarina, devo retornar ao tema. Como eu disse no Facebook, pensar sobre isso é menos um mero exercício e mais uma forma de desenvolver algum conhecimento e controle sobre uma situação que envolve a Catarina de forma muito direta.

  3. Carlos Botto disse:

    Excelente texto. Mais do que nunca se faz necessário a crítica a indústria cultural.

  4. Pingback: “Mas quem lavará? Quem cozinhará?”: As Princesas Disney como trabalhadoras e subalternas. | Foguetes Contra o Infinito

  5. Marta Capistrano disse:

    Paulo Pachá,
    Adorei o seu texto!
    O mais incrível é que eu o li justamente num momento importante.
    Explico: minha mãe, avó da minha filha de 5 anos, diz à neta dela que não gosta de nehuma princesa, que elas são exploradoras do povo e devem ir todas para guilhotina. Minha filha ri e pergunta: “Mas são todas más?” e minha mãe responde que a única que se salva é a princesa Isabel, a nossa, que libertou os negros da escravidão. Sim, minha mãe foi do PC.
    Continuando, o aniversário da minha filha vem chegando e ela quer uma festa da princesa Isabel!!!
    Por favor compreenda que eu nasci na década de 70 e que por isso a festa será numa pracinha, com comidas nutritivas (mas não macrobióticas) e que eu não vou contratar designers de adesivos para bisnaga de brigadeiro e bandeirinhas de cupecake e de bolos.
    Aí é que eu me encontro numa senhora dificuldade.
    Minha filha fará apenas 6 anos, e assim como ela, a maioria dos convidados são analfabetos.
    Pretendo fazer um chá como a Princesa Isabel fazia em prol da abolição e usar a imagem da própria princesa e também camélias, que eram o símbolo da luta abolicionista, mas não sei como simbolizar o fim da escravatura para crianças de 6 anos.
    Minha mãe sugeriu grilhões e chicotes quebrados, mas eu acho que isso iria assustar os pais além de dar um ar de S&M à festa.
    O que vc sugere??????????????????????
    Marta Capistrano

    • Julia disse:

      Marta Capistrano, boa tarde!
      Desculpe me meter, mas a ideia surgiu tão naturalmente… Se quer homenagear a princesa Isabel, acho que o ideal seria privilegiar elementos da cultura africana no Brasil! Sua festa será uma verdadeira alegria de cores e sons! Que tal doces que só temos por conta da cultura negra? Que tal danças como a capoeira? E por aí vai! Julia

    • Danielle disse:

      Princesa Isabel? Lembrando que os negros lutaram e lutaram muito pela sua libertação, e a princesa Isabel não fez nada mais do que “abolir” a escravidão, no entanto não ofereceu condições nenhuma para que os negros libertos se desenvolvessem e tivessem acesso aos bens culturais e materiais da nossa sociedade. Pra mim é um viva as rainhas africanas, a rainha Nzinga, a Makeda, etc.

    • Carol disse:

      Marta, que legal esse tema de festa!!! Sou mãe de um menino, já fiz festinha do Ben 10, do Nemo, do Ursinho Puf e Cocoricó… Não entro na pilha de gastar os tubos com tudo personalizadinho, assim como você disse… Mas nunca tinha pensado em nada tão original… Tenho lido Monteiro Lobato para ele… “Reinações de Narizinho”… Acho que vou começar a resgatar um pouco da nossa cultura com ele, assim como vc… Talvez seja o tema da próxima festa… (E meus pais não se preocupavam com tema, apenas com bolo, brigadeiro e refrigerante… rs… haja consumismo hoje em dia) Agora, como tratar de forma lúdica o fim da escravidão??? E que seja alegre e divertido…. Talvez algumas imagens de crianças brancas e negras brincando juntas… Acho que para a criança, é isso que o fim da escravidão simboliza: a igualdade, independente da cor da pele. Liberdade é um tema um pouco complexo e, nesse caso, só imagino simbolizá-la através da quebra de grilhões, mas é muito pesado para crianças… Tudo de bom para vocês e especialmente para sua filhota!!!

    • Paulo Pachá disse:

      Marta, fico muito satisfeito que o texto tenha sido útil e fomentado essa reflexão. No entanto, eu realmente não me sinto habilitado para responder a sua pergunta. Acho que a ideia é muito original (ainda que eu concorde completamente com a observação da Danielle), mas se é uma boa ideia ou como de deve ser executada são questões que, no seu lugar, eu resolveria conversando com a própria aniversariante. De toda forma, parece mais interessante enfatizar elementos alegres e festivos em uma festa de aniversário do que um tema tão trágico e intrinsecamente violento como a escravidão.

  6. Patrícia Baez disse:

    Estou começando a me interessar por assuntos relacionados com consumismo e questões de gênero. Adorei o texto, principalmente porque minha infância e adolescência foi marcada pelos filmes Disney. Só fiquei realmente curiosa para saber porque o autor não gosta da Pocahontas. Como minha visão sobre o assunto ainda é bastante limitada, gostaria de entender melhor.

    • Paulo Pachá disse:

      Patrícia, a observação sobre a Pocahontas (no primeiro comentário que fiz, e não no texto) era uma pequena piada. Como eu disse, só vi Pocahontas uma vez, quando eu era criança, o que não me dá nenhum elemento para fazer uma avaliação razoável do filme. A impressão que trago daquela época é de um filme muito ruim e que transformava um encontro extremamente violento em um romance. Talvez seja o caso de rever o filme para poder avaliar melhor.

      • Tita Terra disse:

        Transformar a relação trágica entre os nativos e o colonizador em romance adocicado e ainda ganhar muito dinheiro com isso é no mínimo abjeto. Essa visão romântica da heroinas índias como Sacagawea ou Pocahontas carece ser observada como história e não somente como ficção. Assim como o mito da abolição presenteada pela D. Isabel. Agora fica a pergunta: por que festa de criança tem que ter tema de “personagem” e cultuar “idolos” vivos ou inventados e marcas? Não poderia ser “fundo do mar”,”jardim” (flores, insetos, passarinhos, árvores, etc, com convidados improvisadamente fantasiados), “fazendinha”, “esportes “, “festa da pipa” etc? Meus filhos tiveram festas bem divertidas sem nada disso, sem alugar salão nem piscina de bolinhas e pula-pula…

  7. Karine disse:

    Olha eu concordo com a crítica mas não acredito que isso influencia as crianças. Eu sempre amei as princesas originais, ainda amo e me divirto com muitas dessas questões que soam tão tolas no mundo atual. mas nenhuma delas se passa no mundo atual, aurora vive no século 16 e era daquele jeito que a mulher era vista no século 16, acho que basta explicar as crianças que aquele não é um ponto de vista real. eu nunca quis ser dona de casa, nem me casar aos 16, nem sei fazer nada dentro de casa, mesmo crescendo fantasiada de Aurora.

    • Mbress disse:

      Karine,

      cabe aqui uma reflexão: será que fazer estas coisas é algo ruim? Será que você nunca o quis fazer justamente por ter assistido a esses desenho e outros, que colocam isto como uma tarefa baixa? Acho que todos temos nossas capacidades e obrigações, podemos trabalhar “fora”, ter uma profissão e ainda assim sermos capazes de fazer trabalhos domésticos. E isto não é uma obrigação feminina, todo ser humano deveria limpar a sujeira que produziu. Isto é saúde. Abraço, Marina

  8. Mbress disse:

    Paulo,

    gostei do texto, mas me ficou uma dúvida: como são retratadas estas personagens e como é o desenrolar do enredo nos contos originais. Ocorrem da mesma forma ou há uma distorção entre a versão original e a apresentada por Disney? Abraço, Marina

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