O que significa ser de “esquerda” ou ser de “direita”?

Em Junho de 2013, o vlogueiro PC Siqueira postou em seu canal no youtube um vídeo bastante esclarecedor sobre o que é ser de “esquerda” ou de “direita”. Seu objetivo, na verdade, era analisar os motivos que levaram a grande mídia (que, inicialmente, classificou os manifestantes como vândalos e baderneiros) a apoiar as manifestações que aconteceram por todo o país. O vídeo ficou bem bacana, porque mostrou as diferenças entre as propostas de sociedade defendidas pelos grupos políticos de esquerda e de direita, abordando questões como a qualidade dos serviços públicos, a concentração de renda e a exploração de classe. PC e Diego Quinteiro também explicaram o interesse da grande mídia em destacar determinadas reivindicações (ser contra a corrupção e contra a PEC 37), enquanto outras foram deixadas de lado (como a gratuidade nos transportes, a divulgação do lucro das empresas de ônibus e a revisão de seus contratos, a realização de uma auditoria nas contas da Copa etc), mostrando como essa atitude da mídia pode ser considerada uma opção política de direita (porque despolitizou o debate, já que ninguém é a favor da corrupção e que poucas pessoas têm clareza do que seja tal PEC).

O conteúdo do vídeo é bem didático, mas se relaciona pouco com outras questões políticas presentes em nosso cotidiano, que são muito importantes para a definição de nosso posicionamento político, mas que não são tão óbvias quanto aquelas que o PC abordou. Questões como a diversidade sexual (igualdade de direitos para homossexuais), a emancipação feminina (igualdade para as mulheres) e a luta contra o racismo ou pela inclusão de pessoas com necessidades especiais, por exemplo, também podem nos ajudar a definir se alguém é de esquerda ou de direita. É claro que essas não são classificações rígidas – você pode concordar com a maior parte das propostas de esquerda, mas concordar com algumas de direita e vice e versa – mas são pistas muito esclarecedoras sobre o projeto de sociedade defendido por alguém.

Saber o que significa ser de esquerda ou de direita é muito importante, para que façamos nossas escolhas políticas com consciência. E identificar o posicionamento político de alguém (ou de nós mesmos) é muito mais complexo do que a simples observância de sua condição social, como se aqueles que têm uma boa situação financeira fossem necessariamente de direita e aqueles que vivem menos confortavelmente fossem necessariamente de esquerda. O objetivo desse texto, portanto, é debater o significado histórico e social sobre o ser de esquerda ou de direita. E como boa professora de história que sou, vou fazer isso recuperando a origem histórica desses dois termos (“esquerda” e “direita”).

assembleia

Assembleia Nacional Constituinte

Todo mundo que passou pela escola deve ter ouvido falar da Revolução Francesa – processo revolucionário influenciado pela filosofia iluminista, que marcou o início da era contemporânea, por substituir a monarquia absolutista pela república como forma de governo. Logo no início da Revolução, durante a Assembleia Nacional Constituinte, quando os representantes do povo elaboravam as leis que deveriam ser impostas ao Rei, aqueles representantes que defendiam as propostas políticas mais radicais (ou seja, que traziam mudanças de maior impacto para a sociedade do Antigo Regime) sentavam-se do lado esquerdo do salão, enquanto aqueles que defendiam as propostas mais conservadoras sentavam-se do lado direito. A partir daí, as ideias políticas passaram a ser associadas à “esquerda” ou à “direita”, dependendo do quanto essas ideias representavam mudanças para a sociedade. Ao longo do século XIX a burguesia consolidou sua posição de classe dominante, ao mesmo tempo em que a classe trabalhadora começou a elaborar um projeto de sociedade diferente daquele criado por/para a burguesia. O projeto de sociedade defendido pelos trabalhadores – em oposição ao liberal, da burguesia – se baseava em ideias filosóficas como o Socialismo, o Comunismo e o Anarquismo, que, desde então, passaram a ser classificadas como ideias de esquerda. Enquanto isso, os ideais da burguesia – principalmente o Liberalismo, mas também ideais mais autoritárias, como o Fascismo – passaram a ser associados à direita, porque tinham como objetivo conservar as relações sociais que beneficiavam a burguesia.

Como eu disse antes, identificar-se com uma tendência política (à esquerda ou à direita) não depende, necessariamente, de sua origem de classe, pois, se assim fosse, a grande massa de trabalhadores em todo o mundo seria de esquerda e lutaria por uma sociedade diferente daquela em que vivemos hoje. Isso não acontece porque a burguesia – como classe social dominante – controla os canais de difusão dessas ideias (destaque para a mídia, que propagandeia um padrão comportamental típico da sociedade burguesa), oferecendo sua própria visão de mundo como a melhor opção de vida em sociedade. Desse modo, as pessoas acabam sendo convencidas de que os valores morais da burguesia são os mais corretos e que a melhor forma de organização social que existe é a atual. É por isso que muitas pessoas desconfiam de ideias que propõem mudanças profundas na sociedade, pois já estão tão habituadas às relações sociais que conhecem, que acabam achando que essas relações fazem parte das características biológicas dos seres humanos (aquelas famosas frases que escutamos, como “isso é assim desde que o mundo é mundo”, ou “isso faz parte da natureza humana”). Esquecemos que as relações socais são historicamente construídas e, por isso, acabamos aceitando a realidade como ela é, porque somos convencidos por quem controla os canais de formação de ideias. É por isso que, muitas vezes, vemos pessoas oprimidas reproduzindo a opressão como algo natural, como é o caso do negro que é racista, da mulher que é machista ou do trabalhador explorado que defende as mesmas estruturas sociais responsáveis pela sua exploração.

Dito isso, é bom lembrar que todos os indivíduos possuem interesses políticos na sociedade – mesmo que nem todos tenham consciência disso. Nossas opiniões sobre quaisquer temas são posições políticas que podem ser mais ou menos próximas às ideias de esquerda ou de direita, independentemente da nossa vontade. Nossas opiniões, portanto, contribuem para fortalecer um projeto de sociedade, mesmo que nós não tenhamos consciência disso. Quem controla os canais de difusão de ideias (como as grandes empresas de comunicação, as grandes gravadoras, os estúdios de cinema, as editoras, as galerias de arte etc) certamente possui interesses políticos e faz uso de seus meios para convencer as pessoas de que seu próprio projeto de sociedade é o melhor para todos. E como quem controla a maior parte desse aparato comunicativo é a burguesia (por que esta tem o poder econômico para isso), as ideais políticas que beneficiam essa classe social são predominantes em nossa sociedade. Resumindo: todas as nossas atitudes são políticas e elas reforçam algum projeto de sociedade, à esquerda ou à direita.

Normalmente, associamos as ideias políticas que favorecem a burguesia à direita porque – assim como os deputados que se sentaram do lado direito do salão, durante a Assembleia Nacional Constituinte – seu principal objetivo é manter o funcionamento das relações sociais que a beneficiam (conservando sua posição de classe dominante). Enquanto isso, todas aquelas ideias que questionem minimamente a posição dominante da burguesia e que são comprometidas com a transformação e o progresso da sociedade são consideradas ideias de esquerda. Podemos considerar de esquerda, então, todos aquelas ideias que defendam, por exemplo, o fim da desigualdade social e da exploração do homem pelo homem; que defendam que todos os seres humanos sejam igualmente livres, por possuírem os mesmos direitos e por terem suas características particulares respeitadas; que tragam um projeto de sociedade no qual a burguesia não seja mais a classe dominante, porque todos teriam as mesmas condições financeiras e o mesmo poder de decisão e administração sobre o que é importante.

Diferentes Projetos de Sociedade

Diferentes Projetos de Sociedade

Recentemente, muitas pessoas andaram afirmando por aí que essa divisão política entre esquerda e direita é ultrapassada, porque vivemos num tempo em que o mundo e as relações sociais seriam complexos demais para caber em apenas duas tendências políticas. Como encaixar, por exemplo, as lutas dos homossexuais, das mulheres e dos negros por mais direitos, se essas lutas não vão levar ao fim da desigualdade social? Como já disse Paulinho da Viola, eu aceito o argumento, mas não me altere o samba tanto assim! Explico: todas as ideias que busquem romper o padrão comportamental imposto pela sociabilidade burguesa (sociabilidade que proporciona mais direitos ao homem, branco, heteronormativo, cristão, monogâmico e proprietário) são de esquerda, pois têm o objetivo de libertar da opressão aqueles que não se encaixam em tal padrão. No entanto, é perfeitamente possível que uma pessoa de direita seja a favor disso tudo, enquanto defende a desigualdade entre classes sociais. Então, o que diferencia essa pessoa de uma pessoa de esquerda? A diferença é que para uma pessoa de direita, essas mudanças representam um fim em si mesmas – ou seja, são aspectos da vida em sociedade que podem ser aperfeiçoados, sem que se questione a posição dominante da burguesia. Já para uma pessoa de esquerda, essas mudanças – embora não acabem com o domínio da burguesia – devem servir para construirmos um caminho que nos leve a uma sociedade em que não exista nenhum tipo de opressão – nem a opressão de classe. Portanto, essa afirmativa (de que não existe mais direita ou esquerda) beneficia a quem já está no poder, porque dificulta que as pessoas reconheçam as tendências políticas das ideias que defendem.

Por fim, cabe lembrar que nem a esquerda, nem a direita são dois blocos homogêneos. Existem muitas tendências políticas dentro da esquerda e dentro da direita, mas debater essas diferenças já seria papo para outro texto. ;)

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Sobre Juliana Lessa

Professora, doutoranda em História, flamenguista, feminista, socialista e apaixonada por arte (especialmente por música).
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53 respostas para O que significa ser de “esquerda” ou ser de “direita”?

  1. Zeca Bral disse:

    Ótimo texto, professora. ;)

    • Ana Maria Silva Santos. disse:

      ESSE TEXTO FEZ UM ESCLARECIMENTO BEM OBJETIVO DO QUE É SER DE DIREITA E DE ESQUERDA.
      É CONTEXTO TORNOU_SE UMA LEITURA DE APRENDIZADO E PRAZEROSA.
      OTIMO TEXTO.

  2. Andrew disse:

    Curti, Juliana.

  3. Pablo Azevedo disse:

    Parabéns Jú, excelente texto. Didático, mas sem perder a qualidade!

  4. Pablo Azevedo disse:

    Só achei triste os comentários terem moderação aqui.

    • Mariana Bedran Lesche disse:

      Cara, decidimos fazer isso só pra evitar aquelas pessoas muito sem noção que comentam com agressões, recismo, homofobia e tal. Seguimos a experiência da Bárbara que já teve que lidar muito com isso no blog dela. Mas aprovamos todos eles no fim das contas. Acho que ainda não apareceu nenhum maluco.

      • Pablo Azevedo disse:

        Claro Mari, entendo perfeitamente. Quando falei da moderação não havia parado para pensar, poderia ter falado isso com vocês por outros meios. Não foi na intenção de colocar uma crítica, no sentido negativo do termo.

        Abraços e parabéns a todos vocês pelo blog.

      • Mariana Bedran Lesche disse:

        É bom aparecer a crítica em público. É uma questão difícil mesmo, acho que ninguém gosta de fato de ter moderação. Mas provavelmente é por causa disso que ainda não apareceram os lunáticos rss

        Que bom que gostou do blog! Muito bom mesmo saber que está lendo! (E creio que falo por todos aqui.)

  5. Sany Santana disse:

    Excelente texto! Parabéns!

  6. gostei, mas com ressalvas. Entendo o propósito didático do texto, mas acho que ele acaba justamente onde o debate se faz mais necessário. Eu sou do que questionam a legitimidade dessa divisão sim e não acho que isso necessariamente mantenha quem está no poder. Talvez justamente atitudes do tipo “não altere o samba tanto assim” sejam a causa disso. Sim, nem a esquerda, nem a direita são dois blocos homogêneos, assim como a vida não é homogênea. E é a partir dessa premissa que talvez a gente deva iniciar o debate. De qualquer forma, parabéns pela iniciativa do texto, historicamente bem coeso.

    • Juliana Lessa disse:

      Pedro, sem dúvida que debater as tendências dentro da esquerda e dentro da direita é importante, mas acho que pra que esse debate seja feito é preciso que a gente tenha clareza do significado histórico e social de ambas as tendências políticas. E, infelizmente, muita gente não tem tanta clareza em relação a esse tema, principalmente depois que o PT chegou ao poder, porque era um partido com discurso de esquerda mas que acabou fazendo um governo muito próximo ao projeto de sociedade da direita (apesar das concessões feitas à parcela economicamente mais frágil da classe trabalhadora). Meu propósito foi justamente recuperar esse significado, pra que, a partir daí, a gente possa chegar a esses temas.

      Só não entendi quais são as possíveis consequências de atitudes do tipo “não me altere o samba tanto assim” a que você se referiu…

  7. Giovanni disse:

    Muito, muito bom mesmo! Me fez recordar instantaneamente porque gostava tanto de História na escola.

  8. José Luiz da Silva Cruz disse:

    Excelente material, professora, muito obrigado… Seu blog foi um achado para mim, afinal, nem tudo está perdido. É muito bom reacender esse debate, pois eu não suportava mais ouvir o jargão de que esquerda e direita já estavam foram de contexto… Enquanto existirem as desigualdades sociais, em todas as suas formas, todos terão que assumir suas verdadeiras posições, mas para isso, acredito que precisamos derrubar as muralhas da Grande Mídia, que protege fortemente o castelo da burguesia, para que o povo tenha a real noção do quanto é manipulado, o quanto uma ingênua música de três acordes pode lhes alienar…

  9. Acho que a questão das ideologias de esquerda (socialismo) e direita (liberalismo) não devem ser vistas como empecilhos para se atingir a união em prol de uma sociedade melhor. Vou ser bem categórico: querer qualquer um dos dois extremos no nosso mundo de escassez é absolutamente irreal, utópico. Se implementarmos o socialismo conforme Marx o idealizou (através da violência extrema de uma ditadura do proletariado), as pessoas sofrerão com o autoritarismo extremo (tal qual na URSS), e se implementarmos o liberalismo idealizado por Adam Smith, Mises e outros, os pobres se foderão cada vez mais até um ponto onde os padrões de vida sejam intoleráveis.

    A natureza humana não é unicamente um construto social, há diversas características inerentes. O bom selvagem nunca existiu e nunca existirá: a nossa natureza egoísta não é produto da “manipulação burguesa”, o máximo que a classe dominante faz é simplesmente reforçar essas tendências egoístas. O capitalismo não é um bicho feio que só serve para oprimir os pobres: quando bem regulado e temperado com políticas de welfare state, por exemplo, o capitalismo é capaz de trazer grande prosperidade (veja o exemplo da Suécia).

    Acho muito difícil nossa sociedade ter algo diferente de um sistema capitalista, seja num futuro próximo ou distante, portanto, lutar contra ele é perda de tempo, em minha opinião. O máximo que podemos fazer, é lutar para que não haja liberalismo total e que assim seja mantido o máximo de justiça social possível.

    • Juliana Lessa disse:

      Sidnei,
      Acho que discordamos em alguns pontos. Em primeiro lugar, não creio que a gente viva num mundo de escassez. Estudos (http://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&ved=0CCgQFjAA&url=http%3A%2F%2Fsrv.emc.ufsc.br%2Fnepet%2Ftecdev%2F20121%2Fseminarios%2Falimentacao_a.pps&ei=AX_4UdrbMpOK9QT80YDoCg&usg=AFQjCNGQPvWtzQM_pX1Zip_y02fJVErM8g&sig2=8G7PCoHEYPdZxBtz54ED5w&bvm=bv.49967636,d.eWU) indicam que a quantidade de alimentos produzidos no mundo é mais do que suficiente para alimentar toda a população humana. O problema é que a apropriação da produção (de alimentos e das riquezas em geral) é feita de maneira desigual. E essa desigualdade na apropriação se autorreproduz no tempo, já que a concentração de riquezas sempre reforça a posição de quem é beneficiado pela desigualdade (ou seja, o de cima sobe e o debaixo desce!). Além disso, não acho que Marx defenda uma sociedade baseada na violência extrema, no autoritarismo ou na falta de liberdade. Quando ele utilizou o termo “ditadura do proletariado” (em suas obras de caráter mais político), entendo que ele tenha se referido à instituição de um Estado dirigido pela classe trabalhadora – o que, para ele, só seria possível a partir do enfrentamento com a burguesia. A consequência da instituição desse Estado seria a abolição da propriedade privada burguesa dos meios de produção e da terra, que se tornariam coletivos. Não conheço nenhuma referência, na obra de Marx, à limitação de liberdades, como ocorre em formas autoritárias de governo. Sei que existiram (e existem) governos autoritários que se reivindicaram marxistas, socialistas ou comunistas, mas antes de apontarmos a teoria de Marx como causa desse autoritarismo, devemos avaliar o contexto histórico de consolidação desses governos, procurando saber, por exemplo, se os meios de produção foram totalmente socializados (o que não foi o caso da URSS) e se as decisões relativas ao Estado são realmente coletivas (o que também não era o caso da URSS). E vale lembrar que um governo pode se caracterizar da forma como ele quiser sem corresponder ao que é verdadeiramente.
      Também não acredito que exista uma natureza humana biológica que determine as características de nossa socialização. É claro que temos instinto de sobrevivência, mas acho complicado associar as características psicossociais de nossa sociedade a esse instinto. Primeiro porque se isso fosse real, as sociedades humanas e as relações sociais não sofreriam quaisquer alterações e a gente sabe que, desde a pré-história, as sociedades e as relações entre os seres humanos já mudaram bastante. Depois, dizer que nossas características biológicas determinam nosso comportamento social pode levar a ideias perigosas, como as teorias racialistas do século XIX, que afirmavam que os negros e os asiáticos eram seres naturalmente incivilizados que deveriam, portanto, aceitar de bom grado a civilização europeia. Acho que o egoísmo é causado pela sociabilidade egoísta e individualizada que é gerada pela/sustenta a sociedade burguesa, na qual a apropriação dos alimentos e das riquezas produzidas ocorre de maneira desigual.
      Desigualdade, aliás, que é causada pela posição que cada indivíduo ocupa na sociedade: aqueles que são os donos dos meios de produção se apropriam de mais alimentos e riquezas do que aqueles que não são proprietários. E essa é a base do sistema capitalista, que pode até ser mais palatável para a classe trabalhadora (como na Suécia ou no caso do Estado de Bem Estar Social), mas que é, sim, causador de desigualdade social (que, como eu disse, tende a se atuorreproduzir no tempo). Nesse sentido, uma reforma no sistema capitalista pode até garantir uma vida mais digna para aqueles que não possuem os meios de produção, mas uma reforma não pode alterar essa condição. Quer dizer, é impossível acabar com a existência de não-proprietários (dos meios de produção) no sistema capitalista, pois para que alguns poucos sejam proprietários é necessário que outros não sejam proprietários e se sintam, então, compelidos a trabalhar nos meios de produção de outra pessoa. Nesse caso, creio que seja impossível acabar com a desigualdade social sem destruir o sistema capitalista. E acho que também não custa lembrar que essa situação de maior conforto para a classe trabalhadora só existe enquanto a acumulação de riquezas pela burguesia progride em alta. Nos momentos em que essa acumulação entra em crise, a primeira atitude da burguesia é tentar retirar os direitos que garantiam uma melhor condição de vida para a classe trabalhadora. É a isso que estamos assistindo, nesse exato momento, na Europa (com o desmonte do Estado de Bem Estar Social) e no Brasil (com a precarização/privatização dos serviços públicos), elevando-se a idade mínima necessária à aposentadoria, flexibilizando direitos trabalhistas ou reduzindo a oferta de serviços públicos. Também não podemos esquecer que nunca existiu uma situação de pleno emprego no capitalismo, o que significa que, nesse sistema, sempre haverá uma parcela da população que passará por algum tipo de privação.
      Por fim, entendo que seja difícil vislumbrar uma sociedade diferente daquela em que vivemos. Eu mesma me questiono se é mesmo possível viver numa sociedade onde todos sejam iguais e livres. Mas aí eu penso que pra um camponês da idade média também seria impossível imaginar que pessoas totalmente desconhecidas debatessem ideias sem se encontrarem fisicamente. Eu gosto de pensar que eu sou algo parecida com esse camponês medieval aí….

      • “Também não acredito que exista uma natureza humana biológica que determine as características de nossa socialização.”

        Muito pelo contrário, as características que permitem que nos socializemos e que nos caracterizam, justamente, como seres sociais, foram formadas pelo mesmo processo evolutivo que explica a complexidade de nossas características morfofisiológicas. Há muitos anos já se estuda o comportamento humano através da perspectiva evolucionista (através da psicologia evolucionista), e essa abordagem tem lançado luz à aspectos comportamentais que antes eram explicadas por definições apriorísticas e inconsistentes (e.g.: “o ser humano é uma tábula rasa”).

        A natureza humana não é estática: ela é extremamente adaptável à cultura, porém, é importante estressar que “adaptável”, não é o mesmo que “moldada pela”. A cultura humana é um produto da nossa natureza, não o contrário. Se a cultura moldasse a psique dos indivíduos, teríamos um grande problema: definir de onde veio a cultura, o que não se encaixa com uma percepção evolutiva da história da vida na terra e da humanidade.

        Temos características inerentes advindas de nossa história evolutiva: inteligência, criatividade, empatia, etc. Nossa natureza biológica nos permite apreciar uma sinfonia de Schubert, pintar um belíssimo quadro, escrever poemas e livros, dar origem as mais diversas culturas, costumes, comidas que tanto nos descrevem como humanos.

        No entanto, infelizmente também temos um lado negro. Somos propensos à violência, tendemos a discriminar e odiar aqueles que não gostamos ou não entendemos, somos muito egoístas, etc. É esse lado negro que nos impede de conviver harmoniosamente enquanto sociedade. Machismo, racismo, xenofobia, homofobia e etc não são construções culturais, nem criações da classe dominante, mas apenas um sintoma desse nossa lado negro. Não estou dizendo que o fato desses defeitos fazerem parte de nossa natureza os justificam, mas é necessário que as pessoas saibam que possuem essas mesmas características se elas desejam tornar-se pessoas melhores, simplesmente negá-las não adianta nada.

        “Nesse caso, creio que seja impossível acabar com a desigualdade social sem destruir o sistema capitalista.”

        Concordo plenamente. Eu acho que o capitalismo deve ser superado se a humanidade deseja atingir um estado de sociedade mais justa. Mas, eu continuo discordando dos métodos defendidos pelos socialistas mais ortodoxos (revolução, ditadura, etc…). Acredito que é necessário uma outra abordagem.

        Existem duas maneiras de acabar com o capitalismo: 1 – acabando com a propriedade privada e impedindo a acumulação de capital (o que, em minha opinião, é uma atitude autoritária e ineficiente); 2 – acabando com a escassez de recursos, já que essa é a causa da desigualdade social, e, portanto, do conflito social.

        Você falou que há alimentos suficientes no mundo para alimentar toda a população terrestre. Eu não duvido, mas não só de alimentos vive o homem: o homem também vive de diversão, computadores pessoais, livros, videogames, aparelhos celulares, televisões e etc. Não é possível ainda atingir um nível de produção tão alto em todos os setores produtivos da sociedade (embora já seja em alguns), e a tecnologia deve avançar mais para isso ser possível um dia. A URSS falhou em fornecer a produção necessária para que seus habitantes pudessem ter um padrão de vida superior aos países capitalistas, justificando, assim, a seu fracasso espetacular (sem contar o autoritarismo extremo).

        É necessária uma abordagem do socialismo que recorra à métodos não violentos e eficientes para acabar com o capitalismo. A tecnologia e a ciência são as únicas forças capazes de tornar a sociedade de pós-escassez possível, portanto, deveriam ser um dos focos da teoria socialista. Em minha opinião, o socialismo precisa ser reformulado: Marx viveu outros tempos, com outras concepções, é necessário modernização.

        “Por fim, entendo que seja difícil vislumbrar uma sociedade diferente daquela em que vivemos. Eu mesma me questiono se é mesmo possível viver numa sociedade onde todos sejam iguais e livres.”

        Apesar de tudo que disse aqui, eu sou bastante pessimista. A sociedade não vai se alterar do status quo atual, estamos muito dormentes para isso. Enquanto o sonho do pobre for tornar-se bilionário, enquanto estivermos tão ocupados competindo uns contra os outros ao invés de percebermos o quanto estamos sendo fodidos pelo 1% da sociedade, jamais vamos dar um passo à frente, e, infelizmente, não vejo como isso pode melhorar.

      • Roberto disse:

        O engraçado é colocar Karl Marx como exemplo do que voce fala, logo um individuo que defendia os trabalhadores mas nunca trabalhou na vida,nunca usou de trabalho braçal, era sustentando pelo dinheiro da familia, quando isso tudo acabou, ele passou a ser sustentado pelo dinheiro do amigo.
        Esse video explica muita coisa :https://www.youtube.com/watch?v=dlQG02mwTD0

  10. Juliana Lessa disse:

    Sidnei,
    Em relação à natureza humana, concordo quando você disse que alguns aspectos de nossa socialização são possibilitados pela nossa evolução morfofisiológica – afinal, o fato de sermos seres sociais (e conscientes disso) se relaciona diretamente ao nosso desenvolvimento biológico. Mas acho que querer explicar as características de nossa sociabilidade a partir de nossa evolução biológica é o mesmo que querer determinar a cor de uma flor com base na cor do solo em que esta foi plantada. Uma flor que nasce num solo vermelho não será necessariamente vermelha. Ela pode até possuir, em sua composição bioquímica, alguns dos elementos que fazem com que esse solo possua uma coloração avermelhada, mas isso não determinará a cor da flor. Ou seja, ainda que nossas características biológicas sejam fundamentais para possibilitar a nossa socialização, não creio que essas características sejam os únicos fatores determinantes de nossas características psicossociais. Pelo menos eu nunca vi nenhum estudo com credibilidade científica que aponte um gene específico causador de egoísmo, de vilania, de bondade, solidariedade ou quaisquer outras características.
    Mas se a cultura não pode ser explicada unicamente por nossa biologia, o que mais poderia explicá-la? Pra mim, o que a explica são as relações materiais e simbólicas entre os seres humanos e entre estes e a natureza em que vivem ao longo da história.
    Além disso, não acho que esse nosso lado ruim (não gosto de dizer lado negro porque acho que isso é meio racista, mas nada contra quem usa a expressão) seja provocado unicamente pela manipulação midiática, não. Acho que todos nós contribuímos para a reprodução dessas características porque somos criados por uma sociedade que estimula em seus indivíduos esse comportamento individualista, competitivo e preconceituoso. E isso ocorre porque vivemos numa sociedade que nos estimula a querer ter mais riquezas e mais direitos do que os outros.

    Por último, concordo que os seres humanos não vivem só de alimentos. É claro que eu não defendo que a gente viva só com mínimo necessário para garantir nossa sobrevivência. Também acho que o modelo de distribuição de riquezas da URSS foi ineficiente (embora tenha alguns pontos positivos), mas acho que o modelo de distribuição capitalista não é tão melhor assim do que o soviético. Você disse que a URSS não foi capaz de propiciar aos seus cidadãos um padrão de vida semelhante ao que se verifica nos países capitalistas, mas acho que faltou levar em consideração que não todos os países capitalistas que atingiram esse nível de vida confortável ao qual você se refere. Basta pensar nos muitos países africanos, asiáticos e americanos que nunca passaram por um governo socialista (e não vale considerar aqueles que se reivindicam socialistas só no nome), mas que nunca atingiram um padrão de vida semelhante ao de um cidadão da Europa Ocidental, por exemplo. Isso sem contar que nem todas as pessoas que vivem nos países capitalistas desenvolvidos possuem esse padrão de vida tão confortável ao qual você se refere. Meu ponto é o seguinte: é claro que o capitalismo gera, para algumas pessoas, um padrão de vida muito confortável (e, provavelmente, superior ao que se tinha na URSS), mas esse conforto é limitado a uma parcela muito pequena da sociedade, que pode se apropriar dessas riquezas justamente porque a grande maioria das pessoas não pode se apropriar delas. Embora a produção de bens materiais não seja suficiente para atender a todos os seres humanos (na verdade, nem sei se concordo com isso, mas vamos dizer que isso seja verdade), acho que isso não é motivo para fazer com que a grande maioria da população mundial viva em condições de vida precárias e desumanas. Se os bens materiais que produzimos são insuficientes para todos, o mais justo, na minha opinião, seria pensar numa forma de apropriação coletiva que satisfizesse ao máximo as necessidades dos indivíduos. E pra mim, repito, isso só será possível com a superação do capitalismo. Quanto a isso, você disse que abolir a propriedade privada burguesa dos meios de produção e impedir a acumulação de lucro seria uma atitude autoritária e ineficiente, mas acho que, na verdade, autoritário é impedir que as pessoas estudem ou desenvolvam alguma habilidade por falta de dinheiro; é impedir que os mesmos trabalhadores que produzem – com seu trabalho – bens materiais fantásticos possam usufruir desses mesmos bens; é obrigar as pessoas a trabalharem muito para viverem uma vida mesquinha, enquanto outras podem viver confortavelmente sem trabalhar. Abolir a propriedade privada dos meios de produção não é uma atitude autoritária. Ao contrário, é uma atitude libertadora, não só porque permite que coloquemos um fim na exploração de seres humanos por seres humanos, mas também porque, uma vez livre da exploração, os seres humanos poderiam dedicar seu tempo no desenvolvimento de estratégias de produção que atenderiam nossas necessidades. Necessidades, aliás, que também seriam bem distintas das que temos hoje, já que a socialização capitalista nos impõe desejos que reproduzem a própria lógica do capital.

    • “Mas acho que querer explicar as características de nossa sociabilidade a partir de nossa evolução biológica é o mesmo que querer determinar a cor de uma flor com base na cor do solo em que esta foi plantada.”

      É claro que existem características de nosso comportamento social que são explicadas pela cultura e pelo ambiente, não há dúvidas disso. Não estava defendendo uma espécie de determinismo biológico. A cultura é muito importante para a formação do indivíduo, mas a natureza é que produziu os mecanismos pelos quais o indivíduo responde e modifica essa mesma cultura.

      Por exemplo: vergonha, arrependimento e empatia são sentimentos pró-sociais, mas a maneira pela qual cada cultura é capaz de lidar com esses três sentimentos varia e influencia de maneira diferente cada indivíduo nela inserido. Viver em uma sociedade que estimule o indivíduo a ser muito individualista e egoísta provavelmente lhe tornará egoísta e individualista – não que isso possa ser afirmado de forma determinística.

      Quanto à questão dos genes, não posso lhe responder se esses comportamentos são causados por genes específicos, mas dá para determinar uma correlação entre a genética e o comportamento. Estudos de gêmeos, por exemplos, são bastante emblemáticos nesse sentido: normalmente eles apresentam comportamentos similares mesmo quando criados longe um do outro. Tem algumas palestras no youtube de um psicólogo evolucionista bastante respeitado chamado Steven Pinker. Vale a pena conferir.

      “Se os bens materiais que produzimos são insuficientes para todos, o mais justo, na minha opinião, seria pensar numa forma de apropriação coletiva que satisfizesse ao máximo as necessidades dos indivíduos.”

      Aí é que está: como vamos apropriar essa propriedade? Eu acho muito difícil a classe dominante abrir mão de suas riquezas espontaneamente. Normalmente, isso significa revolução – pegar em armas, ou, estabelecer medidas governamentais extremamente radicais. Além do mais, como definir como ficará a distribuição dessas riquezas e meios de produção após elas serem retiradas da classe dominante? Distribuiremos tudo igualmente? Serão todas as propriedades privadas tomadas e socializadas, ou só dos ricos e poderosos?

      Suponha que mesmo tomando todos os meios de produção da classe dominantes, ainda assim eles não são suficientes para satisfazer as necessidades de toda a população, o que fazer neste caso? Suponha que as pessoas comuns, de classe média, não queiram participar dessa socialização em massa de bens privados? É justo obrigá-las a fazê-lo?

      Eu concordo que a única maneira de libertar o homem de trabalhar para viver e fazê-lo alcançar o máximo de seu potencial é acabando com o capitalismo, mas, os meios pelos quais se chegariam a esses fins também importam muito. Em minha opinião, uma sociedade estruturada de forma socialista deveria vir através da democracia (de preferência, democracia direta), do fortalecimento das cooperativas e sindicatos, do avanço das tecnologias capazes de libertar o homem do “trabalho em troca da vida”, da disseminação de tecnologias open-source, etc.

      Ao meu ver, essas seriam maneiras bem mais razoáveis de atingir um socialismo duradouro, e que seja capaz de gerar verdadeira prosperidade para todos.

      • Ivan Dias Martins disse:

        Me intrometendo um pouco no debate. Sidney, a meu ver sua argumentação toda gira em torno de dois pressupostos, o de uma herança biológica dos seres humanos, a existência de uma natureza humana dotada de um “lado negro”, e o de que a riqueza é constituída por recursos escassos. Acho que a Juliana já respondeu bem ao primeiro ponto (só comentaria que você evocou a teoria do Rousseau sobre o bom selvagem — contrapondo o tal lado negro natural –, mas um ponto fundamental do Rousseau é justamente o de que os homens NÃO são determinados a partir de sua pura natureza, mas antes a partir do desvio a esta imposto pela cultura e pela história). E recomendaria você ler algumas das críticas a essa tendência teórica que você tá usando como base. Alguns textos: http://universoracionalista.org/psicologia-evolutiva-ciencia-ou-pseudociencia/ e http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2010/02/psicologia-evolucionista-so-rindo.html

        Em relação à sua segunda premissa, eu acrescentaria que supor que a riqueza é composta de recursos finitos só serve para quem quer chegar à conclusão que só existem as alternativas “desigualdade de repartição” ou “socialização da miséria”. Essa suposição capta algo de real, que a riqueza é sempre a cada momento uma determinada quantidade de valor, e portanto só pode ser repartida dentro desse limite quantitativo. Mas, de resto, é uma suposição sem qualquer validade. A riqueza social está sempre em todo momento parcialmente fixada em bens determinados (recursos, se bem se quiser), mas é também em parte mantida em formas mais voláteis, como reservas de dinheiro, nas quais podem se converter em bens do primeiro tipo. Essas conversões, que podem ocorrer várias vezes para cada bem, aliás, constituem o movimento pelo qual os recursos se redistribuem, dentro de uma divisão geral que não é, portanto, de recursos, mas de riqueza. E, mais importante, do fato de que a riqueza é sempre definida, limitada, não decorre que ela seja absolutamente escassa. A riqueza não é constituída de recursos, mas de trabalho, e por isso mesmo ela pode crescer indefinidamente. A atual massa de trabalho passado é já o suficiente para uma repartição que não seria de miséria. A renda mensal per capita no Brasil, sem contar os estoques de capital já acumulados, é de mais ou menos 1800 reais. Isto é, no atual nível produtivo o rendimento dos trabalhadores poderia crescer muito significativamente em uma repartição mais justa.

        Quanto a como uma outra repartição poderia ser feita, é importante deixar claro que o que se considera que é necessário socializar são as fontes de riqueza, não qualquer bem ou qualquer volume de riqueza. Por isso, meios clássicos defendidos pelos socialistas para transformar a sociedade foram, além do controle pelos trabalhadores das empresas, fábricas e terras, também a estatização dos bancos e grandes fundos privados, isto é, do capital em suas variadas formas. Em que medida e em que passo o capital deve ser socializado é uma questão prática, na qual deve ser pesada a revelância econômica de pequenos empreendimentos. Há diferenças bastante substanciais entre um dono de padaria, empregando poucos funcionários, e o dono de um banco. Por isso mesmo, outra forma clássica de impor uma redistribuição de renda é com tributação progressiva, que cobre consideravelmente mais dos que tem mais renda. Dessa forma, parte da mais-valia apropriada pelos proprietários pode ser recuperada no custeio dos gastos sociais. Essas formas, tal como as lutas diretas por aumento de salário, não pressupõem por si só uma tomada violenta do poder, mas pressupõem coerção, que pode ser executada pelo Estado ou por órgãos de poder direto como conselhos. As condições em que um processo como esse pode se dar, com a forma de coerção que ele desenvolve, são definidas pelo processo histórico. Não temos como simplesmente cagar uma regra de como as coisas devem ou irão acontecer. O que podemos fazer é pensar esses problemas, pensar em alternativas e estudar experiências passadas.

    • Rone disse:

      Ola professora! Transformar a matéria prima sem reutiliza la e, por último, recicla la, juntamente, com o aumento da população e dos bens de consumo duráveis pode sim ser um obstáculo para o sucesso e progresso de toda a população humana. Esse e o grande desafio. O instinto humano, infelizmente, e destrutível e autodestrutivo, porém, toda regra tem exceção.

  11. Pingback: O que significa ser de “esquerda” ou ser de “direita”? : Blog Onhas

  12. Ivan.

    Eu evoquei o mito do bom selvagem para ilustrar o seu maior equívoco: partir do pressuposto de que o homem é bom e que a sociedade é a única responsável pela sua corrosão moral. Se fossemos puramente bons, estaríamos todos vivendo uma utopia hippie onde todos são bons e gentis o tempo todo. Infelizmente, não é o caso.

    O homem não é determinado unicamente por sua natureza, isso é óbvio. Não defendo determinismo biológico, somos dramaticamente afetados pela cultura também. Mas, não adianta negar essas características inerentes que foram produzidas pelo longo processo de seleção natural que deu origem a toda a complexidade da vida.

    O blog da Lola está longe de ser uma fonte confiável, ponderada e racional de informações e opiniões. As críticas dela à psicologia evolucionista foram descaradamente superficiais e mostram uma falta de conhecimento colossal sobre o assunto. Em minha opinião, ela é só uma feminista fundamentalista e não a levo muito a sério. Não quero ser pedante, mas, devo dizer que se quer realmente saber um pouco mais a fundo sobre o que de fato a psicologia evolucionista estuda, procure ler os livros do Richard Dawkins (“o gene egoísta”), do Steven Pinker (“tábula rasa”, “como a mente funciona”), ou então, se quiser um canal de divulgação científica da psicologia evolucionista, procure um canal no youtube chamado “TVCChannelNews”.

    A crítica do universo racionalista é simplesmente a questão da explicação teleológica. A ciência, de uma forma geral, utiliza desse artifício. Na física, por exemplo, temos vários modelos teóricos que nos ajudam a entender fenômenos complexos. Um exemplo é o big bang: tenho certeza que nenhum ser humano presenciou o big bang, no entanto, aceitamos essa explicação como sendo a mais plausível para descrever a realidade. O conceito fundamental das teorias científicas é a falseabilidade: as teorias são aceitas como verdades até que sejam refutadas. Portanto, a psicologia evolucionista pode sim ser encarada como ciência.

    “A riqueza não é constituída de recursos, mas de trabalho, e por isso mesmo ela pode crescer indefinidamente.”

    Não, mesmo que seja o trabalho que gere a riqueza, os recursos da terra são finitos, portanto, não é possível haver crescimento indefinido mesmo com a socialização dos meios de produção. Por exemplo: se não há ferro, não há como como fazer aço, e todos os trabalhos dependentes desse recurso serão instantaneamente paralisados.

    Um exemplo bastante prático daquilo que é um fator limitante para a produção de recursos é a energia. Há escassez de energia no mundo, o que a encarece e limita a produção. Somos uma civilização tipo zero na escala Kardashev: retiramos nossa energia de recursos escassos e poluentes (carvão, gasolina, biomassa, etc.), o que prejudica a produção e, consequentemente, contribui para a perpetuação da escassez no mundo, que, consequentemente, torna necessário o sistema monetário e o capitalismo.

    Concordo que, para eliminar a pobreza, é necessário fazer as pessoas terem acesso aos meios de produção, mas só isso não adiantará de nada se não houver abundância de recursos iniciais necessários a operação desses meios de produção (como dito anteriormente: energia, matérias primas, etc). Além do mais, é necessário avaliar a produtividade desses meios de produção: não adianta muito socializar meios de produção que não são capazes de produzir recursos em quantidade suficiente para eliminar a escassez.

    • Pablo Azevedo disse:

      Caro Sidnei,
      Boa parte das questões que você coloca aqui são bastante pertinentes para se pensar a realidade política, contudo, creio que existem alguns problemas nas suas formulações – problemas que não credito diretamente a você como “sujeito” de um determinado discurso, mas que são intrínsecos à “leitura de divulgação científica” que você recomendou no post acima.
      A primeira questão, que atravessa todo o seu discurso (como bem salientou o Ivan) é que você coloca a problemática de “uma natureza humana” como atuante no espectro sócio político – uma natureza humana marcada por aspectos individualistas e egóicos. Daí você trazer à tona o paradigma rousseuaniano “do bom selvagem” para nos mostrar a utopia e a fragilidade de tal posição. Além disso, você apoia tal ponto não com um discurso filosófico arcaico, mas com a ciência atual e a tese de Dawkins dos “genes egoístas”.
      O segundo ponto que você traz é a questão da “escassez”, que impediria em vários pontos, um reajuste da sociedade, ou uma socialização dos objetos de consumo e dos meios de vida para todos os indivíduos.
      Com relação a primeira questão, começo com sua crítica à concepção rousseauniana do “bom selvagem”. O mito do bom selvagem, na verdade não é um mito (como boa parte das análises ideológicas liberais ou moralistas de Rousseau se esforçou por construir), mas um recurso metodológico muito comum nos séculos XVII e XVIII, chamado “hipótese por absurdo” – que visa construir um discurso diametralmente oposto a uma perspectiva que visa desconstruir no sentido de mostrar o absurdo do mesmo.
      De maneira mais clara, o que Rousseau visa ao propor a idéia de que o homem é bom por natureza (no Segundo Discurso) é mostrar o quão absurda é a concepção de que o homem é essencialmente mal – egoísta, predatório, criminoso: um ser que luta desesperadamente com seus semelhantes pela sobrevivência num mundo de recursos escassos (conjunto de idéias propostas no famoso capítulo XIII de O Leviatã – e sim, Hobbes já justificava a necessidade de uma determinada ordem social, mesmo que ela produzisse desigualdade, legitimando-se na idéia de que os recursos eram escassos). Contudo, o mais interessante é o que Rousseau começa a construir após descartar o “mito do bom selvagem” – pois o filósofo francês em momento algum leva essa ideia à sério, na verdade o que ele quer demonstrar é que o homem não tem “uma natureza individual” nem boa, nem má: mas que o comportamento humano é produzido de uma maneira hipercomplexa (relações sociais, linguagem – que é social – e até mesmo fatores biológicos – quando para pensar a habilidade de manufatura, faz uso da hipótese aristotélica de que nossas mãos podem ter provindo de garras animais, e que graças ás mãos produzimos a civilização). Nesse sentido, Rousseau é um dos poucos modernos que abandona o modelo de explicação metafísico-essencialista e vai na direção daquilo que poderíamos chamar de uma ontologia social que precede às ciências humanas – ou, como dizia Levi-Strauss: foi Rousseau quem criou as ciências humanas, ciência que desejou e anunciou um século antes dela vir ao mundo.
      A questão que Rousseau coloca não é que a cultura torna mal um homem que é por natureza bom, mas longe de uma perspectiva moral, que nossos comportamentos são produzidos, em grande parte, pela estrutura relacional de nossa sociedade em todos os níveis – jurídico, político e econômico. E que os desequilíbrios e males presentes em nossa sociedade são oriundos da desigualdade produzida nesses níveis: sobretudo no econômico: a instauração da propriedade privada e daí a luta que esta produz entre os homens (que querem superar uns aos outros pelas posses). Mas o problema fundamental para Rousseau era desigualdade econômica: “O primeiro que, ao cercar um terreno, teve a audácia de dizer isto é meu e encontrou gente bastante simples para acreditar nele foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras e assassinatos, quantas misérias e horrores teria poupado ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas e cobrindo o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes: “Não escutem a esse impostor! Estarão perdidos se esquecerem que os frutos são de todos e a terra é de ninguém”. Aqui é Rousseau antecipando Proudhon.
      Sidnei você me desculpe não por as referências das citações, mas além de eu não ter como colocar notas de rodapés, encontro-me á um Atlântico de distância dos meus livros. Mas, no que se refere a Rousseau diretamente, tudo isso você encontra lendo o Segundo Discurso. Além disso, se você me permite e quiser constatar a veracidade do que eu escrevi aqui, gostaria de te sugerir duas das leituras que me embasam (além do Lévi-Strauss): Crítica e utopia em Rousseau, de Carlos Nelson Coutinho (o texto é bom, mas quando ele vai apontar as insuficiências de Rousseau – que existem várias! – aponta precariamente), e Questão Jean Jacques Rousseau de Ernst Cassirer.
      Porém, essa questão não se esgota aqui, afinal, não é sobre filosofia política que estamos discutindo aqui. O problema não é Rousseau, mas duas “concepções de realidade” que se chocam e duas “metodologias científicas” que pensam o homem de maneira diversa: tendo implicações políticas reais que podem ser terríveis.
      O mundo moderno ( a partir dos séculos XVI-XVII) é marcado por um crescente avanço técnico e intelectual que procura cada vez mais perceber o que é o homem e a natureza, e controlar eficazmente ambos. A chamada Revolução Científica produz uma metodologia de análise da natureza que logo se tenta aplicar ao domínio da política e das relações humanas: vê-se isso claramente no problema Hobbes. A metodologia científica surgida durante o século XVII produzia um “método de isolamento” das partes para as relações , entendiam-se suas partes mínimas, e se recompunha a totalidade do fenômeno no final. Não sei se consegui explicar bem, mas a metáfora hobbesiana contida no prefácio do Leviatã cria uma imagem que nos ajuda a compreender esse problema: Hobbes nos diz que vai analisar a política como faz a ciência com os fenômenos naturais, assim como para sabermos como funciona um relógio desmontamos ele, percebemos como cada parte se estrutura e o montamos novamente; o filósofo inglês diz que fará o mesmo com o campo político. E desmontando o campo político, qual a mínima parte que ele encontra? O indivíduo. O projeto hobbesiano era partir das ciências naturais para explicar o homem e a sociedade: do De Corpore, para o De Homine, terminando enfim com o De Cives. Transposição dos métodos científicos disponíveis na época (método geométrico, física galileana, Química – se é que podemos chamar os experimentos rudimentares de Boyle de química – e observação empírica) para analisar o comportamento humano e a sociedade.
      Não vou me delongar muito mais sobre isso, mas sabemos qual foi o resultado teórico das investigações de Hobbes: a defesa de um poder soberano totalitário que controlasse absolutamente o comportamento dos homens para que eles não destruíssem-se a si mesmos. Na verdade, o que Hobbes queria era a manutenção da realidade política monárquica tal como estava antes da Revolução de 1640, e que as pessoas compreendessem que a ordem monárquica era necessária para o seu próprio bem – pois os seres humanos são violentos, invejosos e são capazes de matarem-se uns aos outros pelos escassos bens que existem na natureza. Felizmente, ninguém ouviu a “ciência hobbesiana”, que era escandalosa para seu tempo, mas ao longo de nossa história essas transposições de métodos científicos geraram os problemas mais absurdos, como o salto do darwinismo, para o darwinismo social, a eugenia, a psiquiatria antes de sofrer reformas sociais (que produziam uma extrema violência manicomial) etc. – sabemos que essa problemática relação entre ciência e políticas sociais geraram grandes problemas no século XX não é? (Para uma análise mais refinada disso, recomendo o livro de Bruno Latour, Nunca Fomos Modernos, que analisa muito bem o problema da relação entre essa transposição de métodos entre Ciência e campo sócio-político do século XVII aos dias de hoje. Outra importante obra que toca nesse ponto é o curso de Michel Foucault no Collége de France: Em defesa da sociedade).
      Onde eu quero chegar com isso? Você disse que é próprio da ciência desenvolver hipóteses explicativas para que possamos compreender melhor certos fenômenos, como a Teoria do Big Bang, para explicar a certos fenômenos astronômicos. Ok, sem problemas, estou de acordo. Só que este tipo de teoria não tem implicações diretas sobre a nossa a vida, se estiverem erradas, ninguém vai sofrer física ou psiquicamente por causa disso. Contudo, se algumas teorias genético-comportamentais forem levadas para a formulação de práticas sociais de controle e organização isso pode acontecer (me refiro aqui principalmente às pesquisas atuais em genética, neurologia,criminologia e psiquiatria desenvolvidas no mundo anglo-saxão – principalmente nos EUA, onde a cultura do individualismo está lado a lado com uma ciência metodologicamente individualizante).
      Acho muito complicado pensar a elaboração de teorias científicas pensando-se através de uma concepção determinística da ciência: foi o erro de Hobbes, mas foi também isso que produziu acontecimentos terríveis em nossa história recente. Essa ciência determinista-social nos EUA, da qual Dawkins é um dos seus representantes, já faz alguns estragos: principalmente no campo da genética comportamental. Bem, como o meu post já está longuíssimo, e passei muito tempo escrevendo, vou postar depois uma explicação melhor, e mais técnica, com alguns artigos científicos que tenho aqui sobre esse assunto. E ainda queria falar um pouco sobre essa questão da escassez a qual você se refere. Antes de tudo, concordo plenamente com a explicação que o Ivan colocou acerca da socialização dos meios de produção, contudo, acho que por ele ter sido muito “técnico”, acho que você não o compreendeu bem. Assim, queria pegar um pouco de uma discussão que eu acho muito interessante baseado nas reflexões de Mike Davis e de David Harvey acerca do que poderíamos chamar aqui de “uma produção da escassez que seria interna ao próprio fortalecimento do capitalismo”. Bem, por enquanto é isso. Desculpe pelo post longuíssimo, mas adianto que o próximo não será menor!

      • Pablo Azevedo disse:

        Ah, me desculpem os acentos ao contrário em alguns lugares, e alguns outros erros. Por estar escrevendo pouco em português estou ficando com alguns “bugs” na minha escrita. Creio, que apesar disso, o texto está inteligível.

      • Rone disse:

        O que o autor do comentário disse e puramente científico e biológico. Mas, claro, você tem todo direito de discordar.

    • Rone disse:

      E uma pena sermos tão rudes como humanos. E o pior e que se a espécie humana continuar aqui com mais de 7 bilhões espalhados pelo planeta, a terra não vai aguentar. Só se entrarmos em guerra colossal para diminuir drasticamente a nossa quantidade.

  13. Henrique disse:

    Muito legal! Tu criou um mundo paralelo com entendimentos absurdos para tentar provar tua tese.
    Conseguiste distorcer todas as definições.
    Nota 10 em criatividade!

    abs

  14. Thiago Santos disse:

    Sou militante e me identifico bastante com a esquerda, tenho uma formação política básica, mas não completa. Uma pessoa pode ser de esquerda mas concordar apenas em partes com o socialismo? Sou a favor da diminuição máxima da desigualdade social e da estatização total de áreas como saúde e educação e uma forma de política que gere moradia para todos, por exemplo, mas não sou a favor da total estatização e de um governo tão poderoso.

    • Juliana Lessa disse:

      Thiago, não vejo problemas na total estatização, desde que isso signifique a gestão pública e coletiva dos meios de produção e de tudo aquilo que seja necessário para a vida em sociedade (educação, cultura, saúde, transporte etc). Também não sou favorável a um “governo tão poderoso”, mas acho que essa não é, necessariamente, uma característica do Socialismo. É claro que isso acabou acontecendo em algumas experiências históricas, mas isso não quer dizer que o Socialismo tenha que ser dessa forma sempre. Eu tenho alguma leitura sobre “teoria socialista” (sei lá como eu classifico Marx, Lênin, Engels, Gramsci, Thompson, Williams, Hobsbawm etc….) e nunca vi nada que apontasse para o estabelecimento de um governo forte, no sentido que você colocou. Quem costuma dizer que o Socialismo é necessariamente isso são aqueles que pregam uma sociedade livre que de livre não tem nada, já que a imensa maioria das pessoas não tem condições reais de fazer escolhas livremente (Exemplo: um favelado pode escolher ser médico porque não há nada que o impeça de fazer isso. Talvez, ele até consiga ser médico, com muito esforço pessoal. Mas será que todos os favelados que escolherem ser médicos vão ter o mesmo êxito?)

      • Thiago Santos disse:

        O que a senhora acha dos modelos socialistas de países como China e Coréia do Norte? O do governo do PT como um governo de esquerda?

      • Juliana Lessa disse:

        Cara, acho que nem a China, nem a Coreia do Norte seguem modelos socialistas. No máximo, esse países se apropriam de um discurso que privilegia o socialismo como meta (o que eu também nem acho que seja o caso, especialmente na China), mas a prática é bem outra. De todo modo, não podemos esquecer que as experiências históricas representam exatamente o que você disse: modelos. E esses modelos não vão se repetir no futuro tal qual eles aconteceram no passado. Pensar isso é ignorar o potencial de agência humana.
        Ah, também não acho que o PT faça um governo de esquerda, não. Acho que o governo do PT foi o primeiro que se preocupou, de fato, em melhorar minimamente as condições de vida de quem vivia na miséria, mas, ao mesmo tempo em que fez isso, deu rios de dinheiro pros empresários (banqueiros, construtoras etc). Ou seja, apesar de reduzir a quantidade de pessoas que viviam numa situação de calamidade, o governo do PT contribuiu pra reforçar as relações sociais capitalistas, na medida em que incluiu essas pessoas via consumo – o que também serviu pra reforçar os lucros dos empresários.

  15. Thiago Santos disse:

    *E o governo do PT…

  16. Pingback: Um marxismo interseccional é possível? Pontapé inicial para um debate. | Capitalismo em desencanto

  17. Victoria porto disse:

    Ótimo texto. Esclarecedor e informativo, adorei!

  18. Pingback: É de esquerda mas tem ipod | Capitalismo em desencanto

  19. “Isso não acontece porque a burguesia – como classe social dominante – controla os canais de difusão dessas ideias (destaque para a mídia, que propagandeia um padrão comportamental típico da sociedade burguesa), oferecendo sua própria visão de mundo como a melhor opção de vida em sociedade. Desse modo, as pessoas acabam sendo convencidas de que os valores morais da burguesia são os mais corretos e que a melhor forma de organização social que existe é a atual.”

    É por causa desse tipo de pensamento paternalista que o marxismo tem fracassado. Como se a dominação cultural fosse assim, tão simples. A burguesia produzindo uma ideologia como “máscara” da realidade, de um lado, e a população imbecil e incapaz de pensar, do outro, aceitando tudo como se fosse um livro em branco.
    Os marxistas tapam os olhos pra toda produção intelectual e pra História do século XX. Por isso nunca saem dessa mesma lenga lenga maniqueísta de “malvados dominadores versus estúpidos dominados”.
    Por isso que sou anarquista.

    • Juliana Lessa disse:

      Tiago,
      Em nenhum momento eu afirmei que a população é um livro em branco enganada pela burguesia malvada. Acho que você foi reducionista com meu texto. Eu disse, apenas, que a burgueisa possui os mecanismos necessários para convencer (palavra que não significa enganar, ludibriar ou manipular) as pessoas de que seus próprios padrões morais e estéticos são os melhores ou os mais corretos para toda a sociedade. Isso não significa mascarar a realidade; significa apresentar a realidade a partir da perspectiva da burguesia.

      Mas diz aí como o anarquismo explica a atuação da indústria cultural.

  20. Pingback: A desmilitarização das polícias e o questionamento às bases da dominação de classes no capitalismo contemporâneo | Capitalismo em desencanto

  21. Professora, a senhora poderia exemplificar algum pais ou sociedade em que as ideias de esquerda tenham sido implantadas com sucesso, preservando a liberdade de expressão, pensamento, culto, locomoção e de meritocracia pela força do trabalho honesto?
    Ou tenham dado certo com eficácia sem preservação de direitos civis?

  22. Pingback: Por que “De Esquerda”? | Georgia Martins Faust

  23. Serafim Nascimento disse:

    Amei o texto Professora! (y)
    Bom trabalho!

  24. Ótimo texto, leitura muito prazerosa de ótimo esclarecimento! :D

  25. Cleiton Alves disse:

    Excelente texto. Enfim consegui compreender o que significa ser de esquerda/direita. Meus amigos vivem dizendo que sou esquerdista, mas nunca entendi ao certo o significado da definição. Graças ao texto limpo e super objetivo, entendi. E abriu novas questoes e possibilidades de pesquisas. Vou me aprofundar mais no assunto. Obrigado pelos esclarecimentos.

  26. Rone disse:

    Então e isso? Eu não entendo, então, por que meus pais que são sociólogos são de esquerda (já que defendem o direito dos trabalhadores, da evolução, do desenvolvimento social e igualitário), mas sempre votam em partidos elitistas. Agora fiquei mais que confuso.

  27. Vitória Pontes disse:

    Ótimo texto!

  28. Pingback: “Mais de esquerda”? Para uma compreensão dos governos petistas | Capitalismo em desencanto

  29. Isabella Francine disse:

    caramba, texto perfeito muito bem explicativo. eu nem ia ler pelo tamanho kk mas depois dos comentarios mudei de idéia

  30. Pingback: “Deixa estar”: fé e ação interessada no banquete da Direita | Capitalismo em desencanto

  31. Luis Otávio disse:

    Poxa!
    Belo texto!
    Fiquei muito feliz de ter encontrado um blog com tamanha qualidade!
    Continuem assim.
    Obrigado!

  32. Parabéns pelo texto inteligente, claro e esclarecedor!

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