Os “escândalos” na Petrobras e o jogo político

Texto por Daniel Tomazine*

O ano de 2014 está sendo bombardeado por inúmeras denúncias contra os gestores da Petrobras. Eles estão sendo acusados de levarem a empresa a perder mais da metade de seu valor de mercado nos últimos anos, além de terem trazido um lucro no ano de 2013 bem abaixo da média dos últimos 12 anos (inclusive com prejuízo em um dos trimestres). Some-se a isso o episódio de Pasadena e de acusações de corrupção envolvendo um de seus diretores e a ALSTON Power.

Mas o uso político da Petrobras não é novidade. Desde que a política de privatizações do governo FHC esbarrou na resistência petroleira e foi largamente rechaçada pelos brasileiros nas eleições presidenciais de 2002, 2006 e 2010, que a Petróleo Brasileiro S. A. vem sendo uma das principais bandeiras da campanha governista. A companhia petroleira seria um exemplo do “Brasil que dá certo” e de um “passaporte para o futuro”.

No entanto, este uso político da empresa chegou a um certo desgaste, em parte, devido às mentiras que o envolvem e, por outro lado, pela péssima gestão que a “guerra dos tronos” implica.

Primeiramente, todo o discurso político do PT envolvendo a Petrobras não passa de falácia eleitoreira. O PT não só deixou de combater o processo de privatização da Petrobras iniciado por FHC (capital misto negociado em bolsas internacionais e o fim do monopólio estatal sobre o petróleo), como o aprofundou: os governos do PT já realizaram mais do que o dobro de leilões de campos de Petróleo, inauguraram os leilões de Gás Natural e inventaram o modelo de partilha para entregar o Pré-Sal a iniciativa privada.

imagem tomazine

Em segundo lugar, sua gestão é deveras ineficaz, mesmo dentro dos marcos do capitalismo. O governo se vale dos preços dos combustíveis abaixo dos praticados no mercado internacional como forma de combate à inflação. Pois bem, utilizar riquezas naturais no desenvolvimento nacional é justo. Mas fazer isso à custa da sobrevivência da maior empresa brasileira seria um tiro no pé mesmo para o mais keynesiano dos mortais! Se queres manter o preço do Diesel (que realmente impacta nos preços), que corte os altíssimos impostos ligados ao mesmo. Mas isto o PT não pode fazer, pois teria que romper com outra herança dos tucanos: o superávit primário! (a “mesada” do capital financeiro internacional, que consome cerca de 4,5 % do orçamento da união por ano). E os professores não recebem nem dois salários por mês…

Assim, a oposição PSDB-DEM se valeu do buraco em que o PT se meteu, e resolveu jogar terra em cima. Fazem-no com a cara mais lavada do mundo, como se não tivessem levado esta mesma empresa quase à falência em 1999!

O que a Petrobras precisa é ser entregue de vez aos brasileiros. Se os petroleiros foram os responsáveis por transformar esta empresa na mais avançada companhia de petróleo em águas ultra-profundas, eles serão capazes de destinar os recursos do petróleo para o desenvolvimento nacional, o combate à inflação, pesquisas e implementação de energias renováveis e geração de empregos. A Petrobras dos trabalhadores brasileiros não é esta que “fecha os olhos e lava as mãos” frente aos absurdos a que as “gatas”, como são conhecidas as empresas terceirizadas, submetem seus empregados. O mais escandaloso dos recentes casos é o dos funcionários da construção do COMPERJ que tem convivido com salários atrasados e péssimas condições de trabalho. E quando resolveram se manifestar e paralisar os trabalhos, foram ameaçados por homens armados. A nossa Petrobras vale do mais que a deles!

*Daniel Tomazine Teixeira, 29 anos, graduado e mestre em História pela Universidade Federal Fluminense, é Técnico de Operação Pleno da Petrobras, onde trabalha há 4 anos em uma usina termoelétrica. Militante socialista desde o movimento estudantil, atua na defesa de uma Petrobras 100% estatal e sob controle dos trabalhadores. Também se dedica à defesa da cultura e religião afro-brasileira – pela qual se insere organicamente, apesar de suas raízes lusitanas e sua pele branca -, à defesa de um esporte que não vise o lucro e ao desenvolvimento de uma agricultura que rompa com os padrões do agro-negócio.

Esse post foi publicado em Economia, Política e marcado , , . Guardar link permanente.

Comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s