Quando a sororidade nos protege. #primeiroassedio

Era o meu aniversário de 18 anos e esse não foi o meu primeiro assédio. Voltava do pré-vestibular colada na janela do ônibus. Era um hábito, me distraía lendo letreiros e vendo pessoas. Naquele dia eu estava ainda mais avoada, pensando no que aconteceria nas próximas horas e a janela era um lugar onde eu podia sorrir sem ser vista. A viagem corria e então senti que a pessoa que estava ao meu lado no ônibus era um pouco espaçosa, mas isso não me fez olhar pro lado. Recebi uma ligação de um amigo que me esperava em casa para dar os parabéns, e eu seguia sorrindo, distraída na janela. Assim que desliguei o celular uma mulher falou de forma agressiva para eu sair do meu lugar e aquela reação me fez crer que ela ia me bater. Fiz o que ela mandou e recebi com surpresa a notícia de que o senhor que estava ao meu lado se masturbava. Senti uma raiva misturada com autopiedade mas  também experimentei pela primeira vez a solidariedade entre mulheres. #primeiroassedio

Sobre Ludmila Gama

Professora da rede estadual do Rio de Janeiro e doutoranda em História pela UFF.
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