3 olhares sobre o filme “Que horas ela volta?”

Cartaz do filme "Que horas ela volta?"

Cartaz do filme “Que horas ela volta?”

Este post é fruto de debates entre os membros do Coletivo do Blog Capitalismo em Desencanto sobre o filme “Que horas ela volta?”, de Anna Muylaert. Ansiosos por amplificar esses debates, colocando nossas ideias para circularem de forma mais livre, mas também conhecendo as impressões de outros espectadores do filme, apresentamos três curtos textos cujo objetivo principal é que funcionem como pontapé inicial de mais discussões. Assim, longe de esgotarem as questões que emergem do filme, os textos (escritos por três membros do Coletivo do Blog), propõem distintas chaves de leitura na expectativa de abrir o caminho para novas e profícuas intervenções nos comentários, em futuros posts, ou mesmo em outros espaços. Continuar lendo

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A reinvenção do trabalhismo inglês

Em maio deste ano, as eleições no Reino Unido resultaram em uma grande guinada à direita. O partido conservador (chamado também de tory) conseguiu eleger 331 membros (de um total de 650) para a Câmara dos Comuns do Parlamento. Este resultado garante que este partido conseguirá passar boa parte de seus projetos sem precisar fazer alianças com os demais partidos. Como consequência direta das eleições, os líderes dos outros grandes partidos renunciaram às suas posições, como é comum em regimes parlamentaristas.  No caso do segundo maior partido, o Trabalhista (Labour), a saída do ex-líder Ed Miliband foi anunciada com um objetivo claro: a reconstrução do partido com uma nova liderança.

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Não comer carne: a crítica e o ativismo de Cowspiracy

O documentário Cowspiracy reflete sobre a criação de gado, apontando que ela seria a principal razão da destruição ambiental no planeta Terra, ao mesmo tempo em que procura entender por que a pecuária normalmente não é apontada como a principal vilã nos debates sobre o tema. O filme foi produzido de forma independente em 2014 e ganhou fôlego com o interesse de Leonardo DiCaprio, que se tornou seu produtor executivo e editor. Cowspiracy estreou há algumas semanas no Netflix, ganhando certa projeção por sua capacidade de levantar questões sobre ética e ativismo. Continuar lendo

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O que o caso Hacking Team nos ensina sobre a vigilância no Brasil?

logo "Hacked Team"Desde que o debate sobre a espionagem governamental ganhou destaque na mídia com o caso de Edward Snowden e outras denúncias, discute-se as implicações da vigilância para o regime democrático e as possíveis consequências da ampliação do alcance do acesso das forças de segurança sobre informações e dados privados da população. Mas muito do que se publica diz respeito ao governo dos EUA (com seus aliados mais próximos) e sua atuação pelo mundo. Pouco se sabe sobre a extensão dessas práticas no Brasil. A recente publicação de milhares de documentos de uma das maiores empresas fabricantes de software de vigilância nos permite perceber que o governo Brasileiro está sim interessado nesse tipo de tecnologia e também joga alguma luz na relação das agências governamentais com a indústria da espionagem, inclusive no Brasil.

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ÓDIO E RESSENTIMENTO DE CLASSE NO BRASIL HOJE

Cada geração deve descobrir a sua missão? O cheiro do vinagre não sai da roupa desde 2013

As tentativas de reflexão a propósito da geração estão fadadas ao fracasso. Em primeiro lugar, porque pertence à ação humana aquele grau de imprevisibilidade tão caro à Hannah Arendt, devido ao poder de iniciativa, isto é, de dar início a alguma coisa. Em segundo lugar, porque não existe tal coisa como “a geração”, a não ser como algo constituído após os fatos terem se revelado: existem gerações dentro da geração, composta por grupos heterogêneos e muitas das vezes conflitantes (que não estão em condições de igualdade de gênero ou de classe, por exemplo). Não obstante, os últimos acontecimentos que tiveram palco em diversas cidades do Brasil, o grau de perigo a que estamos submetidos e a condensação das convulsões históricas dos últimos 30 anos em Junho de 2013, nos forçam a uma tentativa de compreensão para que possamos avaliar melhor o caminho que decidirmos pisar daqui em diante. Continuar lendo

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Existem alternativas: sobre o ajuste fiscal impopular, dívida pública, inflação e a necessidade de reformas populares

  • Texto escrito por Leonardo de Magalhães Leite, professor de Economia Brasileira na UFF (1)
O famoso lema neoliberal da primeira-ministra inglesa.

O famoso lema neoliberal da primeira-ministra inglesa.

Não existe alternativa – ou there is no alternative (TINA) – era o slogan da ex-primeira-ministra britânica Margareth Thatcher no começo dos anos 1980. É a expressão mais fiel do pensamento neoliberal e poderia ter sido encontrada por qualquer jornalista no discurso de apresentação das novas medidas de ajuste fiscal pelo governo brasileiro na semana passada.

Sabemos que se trata de um ajuste fiscal extremamente duro para a classe trabalhadora. Tanto pelo ajuste em si quanto pelos seus resultados: desemprego, redução de salários e diminuição do poder de barganha dos sindicatos. Continuar lendo

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Fotografia e Barbárie

Tristeza, indignação, mas sobretudo uma incomensurável impotência. Foi assim que me senti no dia 02/09/2015, quando uma imagem de uma criança morta à beira do Mediterrâneo se repetia em um looping macabro e aparentemente infinito nas minhas redes sociais. Aylan Kurdi, 3 anos de idade, sírio, morreu afogado ao cair de um barco cheio de refugiados que tentavam escapar de mais uma tragédia do capitalismo tardio.

Momentos de barbárie em fotografias emblemáticas

A morte de Aylan reacende um debate que às vezes surge na opinião pública: por que sua morte comoveu mais do que as milhares de mortes causadas diariamente pelo mesmo conflito na Síria? Por que sua morte levou à indignação daqueles que apontaram, aparentemente com alguma razão, que morrem em nossas cidades, todos os dias, pessoas inocentes, crianças como Aylan, e que nem por isso artistas do mundo inteiro interrompem suas atribuladas atividades para prestar a devida homenagem? Será que, afinal, algumas vidas valem mais do que outras?

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Encruzilhada histórica da Educação Pública e a tarefa que nos está colocada

Vivemos tempos muito interessantes, politicamente. Afora todo o peso da crise política e econômica, dos fantasmas reacionários que estão se tornando reais, não podemos negar que a consciência da necessidade das lutas sociais está aflorada – em diversas partes do mundo, inclusive. Para quem milita desde o período do refluxo dos anos 90, pós-queda do Muro de Berlim e do bloco soviético, quando se instaurou a ideologia que nega alternativas ao capitalismo, é bem sensível a retomada da consciência e das lutas, assim como do ímpeto de se pensar em novas formas de organização, mesmo com todos os tropeços. Movimento esse que traz seu contrário, a ‘onda conservadora’ que ora nos assombra, mas que é plenamente compreensível – ainda que suas consequências sejam imprevisíveis, e que isso nos imponha urgência na ação política.

Porém, ao menos no que tange ao campo da educação pública no Rio de Janeiro, esse período pode ser o momento preciso de uma virada histórica. Mesmo diante de todo o quadro de dificuldades por que passamos, dentro e fora de nossas escolas e mesmo de nossos sindicatos, o momento histórico nos colocou tarefas pesadas, mas que temos todo o poder de enfrentar.

Ato de outubro de 2013 (2) - greve da educação

Ato de outubro de 2013, da greve da Educação do Rio de Janeiro, quando os levantes de junho se desencadearam em um projeto político claro: a negação à política educacional dos governos estadual e municipal.

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O cercamento do Campo

Cresci em Conselheiro Paulino, um bairro de origens operárias, praticamente um subúrbio de Nova Friburgo, cidade da região serrana do Estado do Rio de Janeiro. Abrindo a janela da sala da minha casa, ou indo à varandinha do quarto dos meus pais, eu dava de cara com o Pastão. Um campo até bem grande, para um bairro de população razoavelmente densa. Ao seu lado estava o Cofec, maior escola estadual do bairro. E ao redor desse conjunto escola-campo, ruas basicamente residenciais, apenas com o Rio Bengalas delimitando o território ao fundo.

Mapa da região do Campo do Pastão, em Conselheiro Paulino

Mapa da região do Campo do Pastão, em Conselheiro Paulino

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Precisamos conversar sobre democracia operária

Agradeço as sugestões de grandes camaradas como Amanda Cezar, Ivan Dias Martins, Marco Marques e Eduardo Daflon para as reflexões que faço neste texto

Qual deve ser o papel de uma chapa de oposição minoritária pela esquerda, na gestão de um sindicato? Ou de um diretório de estudantes? Ou de um movimento social? Como lidar com o conjunto de grupos majoritários, que vêm conduzindo a política de um movimento de luta de modo equivocado, quando não utilitário, e por vezes malicioso, afastado da base de sua categoria? O que se espera de um grupo minoritário, que surge de um processo de questionamento a essas práticas e usos? Essas questões me surgiram justamente por estar nessa posição, na direção do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro (SEPE), há cerca de um mês.

Pra responder a isso, é preciso ter uma compreensão básica do caráter desses espaços políticos, como o próprio sindicato. E não digo do SEPE, em particular, que tem uma história de luta e autonomia diante de governos, diferente de muitos outros. Digo qualquer sindicato da classe trabalhadora. O que os define é que são espaços políticos da classe.

petrogradsoviet1917

Assembleia do Soviete de Petrogrado em 1917.

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