Tim Marx

Aos 12 anos, Tim Marx assumiu sua homossexualidade e foi expulso de casa pelo pai. Foi morar com uma tia que era dançarina e por influência dela começou a cantar na noite carioca. Passou por diversas bandas de black music e samba até formar com amigos a vanguardista Swing Proletário, que lotava shows nos finais de semana de Madureira e Cascadura entre 1966 e 1969. Vendeu seu fusca para financiar a gravação do long play da banda, mas o álbum foi recolhido pela censura e nenhuma cópia sobreviveu. Algumas de suas canções, entretanto, ainda são rememoradas por suburbanos como “Acenda o paiol”, “Primavera (dos trabalhadores)” e “Vermelho cor da luta”. Depois que a repressão e a bancarrota dissolveram o Swing Proletário, Tim fundou um movimento místico-revolucionário em Nova Iguaçu: o Messianismo Democrático. Foi novamente alvo da repressão e, depois de um não esclarecido tiroteio na sede do movimento, Tim se exilou na Europa. Na fuga, conseguiu levar consigo o manuscrito coletivo que era a base doutrinária do Messianismo Democrático, o “Capitalismo em Desencanto” (título que retomaria anos depois).

Passou por vários países da Europa: na Inglaterra, estudou história e, na Alemanha, filosofia. Na França, se dedicou ao sexo e às drogas e na Itália, engordou 20 kg. Participou de movimentos clandestinos na Irlanda e na Espanha, mas sobre isso pouco se sabe. Fez nome escrevendo textos de intervenção sobre a união da classe trabalhadora européia, e análises sobre a tortura na América Latina, sobre o avanço do neo-liberalismo, sobre homofobia nos PCs, sobre guerra nuclear e sobre o Michael Jackson. De volta ao Rio na década de 1990, teve várias ocupações e passou a militar em associações de favelas, sindicatos e blocos de carnaval. Dá assessoria política, escreve teses para congressos operários e estudantis e palavras de ordem e canções para as mais diversas passeatas. São de sua autoria “Fora FHC, vagabundo é você” (contra a reforma previdenciária), “Ei, polícia, maconha é uma delícia” (marcha da maconha), “Contra o capital, sexo anal” (marcha das vadias) e, mais recentemente, “Ei, Cabral, toma na polícia, porque tomar no cú, eu te garanto, é uma delícia” e “Não vai ter Copa” (jornadas de junho).

Desde que retornou, Tim Marx foi preso 15 vezes: 1 por porte de maconha, 3 por fazer xixi no carnaval, 8 por desacato à autoridade em manifestações (2 por xingamento à pm, 1 por pescotapa em guarda municipal; nas outras 5, era inocente), 1 por furto (nas lojas Americanas) e 2 por tentativa de homicídio (teve uma relação muito conturbada com um antigo namorado, mas está tudo superado agora). Atualmente, Tim é gari da Comlurb e reside temporariamente na Lapa, no apartamento do Ivan e do André (foi à convite do André e dorme na sala), de onde organiza o blog Capitalismo em Desencanto.

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2 respostas para Tim Marx

  1. Nádia disse:

    Querido Tim,

    você tem o perfil necessário para fazer parte de nossa obra prima “As incríveis aventuras de Jonny Sofuker”. Procure-nos.

    O Bando

  2. Alexandre disse:

    Tim, você e nosso, é de luta!

Comentários

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