Olá, Senhor Comunismo!

O esloveno Slavoj Žižek é conhecido sobretudo pelas suas reflexões a respeito da ideologia, algo que eu procurei apresentar brevemente em um texto anterior, mas Žižek também possui a alcunha de “o filósofo mais perigoso do ocidente” e em grande medida isso deve-se ao fato dele ser uma voz ativa no debate político contemporâneo, ganhando bastante atenção, como no seu discurso ao movimento Occupy Wall Street, e abordando uma questão candente para a esquerda nas última décadas: “o que fazer?”. Mas que tipo de estratégia política podemos tirar de um pensador que têm entre os seus motes a ideia de que em vez de procurar agir o tempo todo devemos parar e pensar a respeito de nossa realidade contemporânea?

 

Žižek no "Occupy Wall Street"

Žižek no “Occupy Wall Street”

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A Copa das Críticas

Texto enviado ao blog pelo colaborador Alexander Englander

No início da tarde de hoje fui pedalar em Copacabana, como fiz algumas vezes durante essa Copa. Torcedores de diversos países perambulavam pelo calçadão. Pensando retrospectivamente acho que esse foi um modo que eu encontrei de participar da maior festa popular do futebol sem prestar nenhum tipo de apoio à Fifa, instituição que eu repudio de todo.  Pouco depois do Copacabana Palace um grupo de uns 50 argentinos cantava gritos de torcida e aglomerava brasileiros em sua volta. Saltei da bicicleta e fiquei ali observando uma animação que eu me acostumei a compartilhar em um Maracanã que já não existe mais. Logo em seguida ainda tive a honra de ser cumprimentado pelo inusitado Papa Don Diego de la gente. Foi a cereja do bolo, decidi ficar pela praia mesmo e assistir a final no telão do Fifa Fan Fest. Mas do lado de fora.

Ao contrário da falta de criatividade da embranquecida torcida brasileira que esteve nos estádios, a empolgação da torcida argentina na praia estava contagiante. Copacabana estava tomada pelos seus belos cantos quando Higuaín perdeu aquele gol feito eu me vi reclamando e torcendo junto com os hermanos. Eles eram a grande maioria na praia, mas também haviam mexicanos, colombianos, chilenos, noruegueses e brasileiros apoiando os nossos chamados “arquirrivais”. Se torcida ganhasse jogo, eu garanto, certamente eles seriam os campeões e a taça teria ficado nos solos de nuestra querida América Latina. Mas prevaleceram a competência tática e a evolução técnica do futebol coletivo da Alemanha. O craque do time alemão não é o atacante Müller nem o goleiro Neuer, é o espírito coletivo, é o time como um todo. E além de jogarem o futebol mais dinâmico da contemporaneidade eles ainda contaram com a sorte própria dos campeões. Que sirva de lição para o futebol brasileiro, porque nós podemos unir aplicação tática coletiva com habilidades individuais muito mais refinadas do que a dos alemães. Continuar lendo

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Gramsci sobre a Legalidade

LEGALIDADE

Antonio Gramsci,

Socialismo e Fascimo. L’Ordine Nuovo 1921-1922.

Até onde vão os limites da legalidade? E que momento deixam de ser respeitados? É certamente difícil fixar qualquer limite, dado o caráter bastante elástico que assume o conceito de legalidade. Para qualquer governo, toda ação que se manifesta no campo da oposição contra ele supera os limites da legalidade. Contudo, pode-se dizer que a legalidade é determinada pelos interesses da classe que detém o poder em cada sociedade concreta. Na sociedade capitalista, a legalidade é representada pelos interesses da classe burguesa. Quando uma ação busca atingir de algum modo a propriedade privada e os lucros que dela derivam, tal ação se torna imediatamente ilegal. Isso é o que ocorre no plano da substância. No plano formal, a legalidade se apresenta de modo diverso. Já que a burguesia, ao conquistar o poder, concedeu igual direito de voto ao patrão e seu assalariado, a legalidade foi aparentemente assumindo o aspecto de um conjunto de normas livremente reconhecidas por todos os segmentos de um agregado social. Houve então quem confundisse a substância com a forma, dando assim vida à ideologia liberal-democrática. O Estado burguês é o Estado liberal por excelência. Nele, todos podem expressar livremente seu pensamento através do voto. Na verdade, no Estado burguês, a legalidade reduz-se a isto: ao exercício do voto. A conquista do sufrágio pelas massas populares apareceu aos olhos dos ingênuos ideólogos da democracia liberal como a conquista decisiva para o processo social da humanidade. Jamais se levou em conta que a legalidade tem uma dupla face: uma interna, a substancial; outra externa, a formal. Continuar lendo

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Questionamentos sobre a perseguição a ativistas do Rio de Janeiro

Abaixo seguem referências factuais e considerações sobre a atuação policial e judiciária contra ativistas do Rio de Janeiro. Elas tem enfoque nos absurdos jurídicos, na ilegalidade, nas fragilidades argumentativas e no caráter de perseguição política por parte do Estado, ficando de fora aqui as operações midiáticas (que julgam e condenam por conta própria), diversos elementos de contexto (como a seletividade da justiça, menos disposta em combater assassinos que são funcionários públicos) e especificidades do caso (ademais, pouquíssimo conhecido). Espera-se que esse mínimo levantamento possa servir de contraponto a uma cultura antidemocrática generalizada na mídia e nos aparelhos de Estado, os quais tem atuado com indigência intelectual, desprezo à verdade e vontade de criminalização da contestação política. Estamos em um momento em que é preciso reafirmar noções mais elementares de justiça e de razão contra o arbítrio estatal e seus comparsas, que pairam como um perigo não apenas contra esses ativistas mas sobre todos nós. Todas as afirmações aqui pretendem ser amparadas pelos links. Convidamos os leitores a somarem informações e referências ao caso, bem como indicar possíveis imprecisões. Continuar lendo

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New Orleans é aqui

New Orleans depois do Katrina. A cidade que emergiu dessa tragédia, com todos desafios impostos pela devastação. O porto da música e da culinária da costa Leste com sua vida cultural e cenário alternativo, uma economia decadente e conflitos sociais. É esse o plot de Treme, série de TV americana que está agora em sua quarta temporada e que tem em seu currículo os mesmos realizadores de The Wire.

É uma pintura apaixonada de uma cidade com toda sua complexidade e contradições. Leitura certamente romantizada dessa realidade, o que contudo não cria uma interpretação simples ou superficial. A paixão dos realizadores pela cidade é explícita em cada cena desse relato etnográfico. Impossível não se envolver com o lugar depois de alguns episódios. E é essa paixão que faz querer penetrar todas as razões e desrazões da cidade que fez nascer o jazz. O drama passa bem longe da história piegas de uma cidade que luta para se reerguer diante de uma catástrofe inevitável.

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Anatomia possível de um processo sigiloso

A escandalosa ordem de prisão temporária para 26 militantes.

A escandalosa ordem de prisão temporária para 26 militantes.

Quando, no dia 12/07, 26 militantes foram buscados em suas casas para serem conduzidos à prisão, muita atenção se prestou à ausência de provas apresentadas e, em especial, gerou escândalo a justificativa apresentada pelo juiz Flávio Itabaiana e defendida pelo delegado Alessandro Thiers e pelo promotor Luís Otávio Figueira Lopes de que as prisões se destinavam a evitar protestos violentos no dia da final da Copa do Mundo, isto é, punição antecipada a crimes ainda não cometidos e a respeito dos quais nenhuma evidência de planejamento foi sequer apontada. Entretanto, outro aspecto da decisão inicial destas prisões e que permanece nas decisões subsequentes, especialmente na expedição de 23 mandados de prisão preventiva, não foi talvez devidamente avaliado: o das próprias prisões serem defendidas como instrumento para a investigação do caso em si. Sinal de uma lógica perniciosa de condução do caso, em que o processo judicial se confunde com a investigação policial de forma a produzir-se a si mesmo. Continuar lendo

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Breve apresentação de Walter Benjamin

APOCALIPSE OU CIDADE DE DEUS NA TERRA DA TECNOLOGIA

INSTA. “Só a fotografia revela o inconsciente ótico, como só a psicanálise revela o inconsciente pulsional. (...) A fotografia revela... os aspectos fisionômicos, mundos de imagens habitando as coisas mais minúsculas, suficientemente ocultas e significativas para encontrarem um refúgio nos sonhos diurnos, e que agora, tornando-se grandes e formuláveis, mostram que a diferença entre a técnica e a magia é uma variável totalmente histórica.” Em “Breve história da fotografia”, OE1, pp. 94-95.

INSTA. “Só a fotografia revela o inconsciente ótico, como só a psicanálise revela o inconsciente pulsional. (…) A fotografia revela… os aspectos fisionômicos, mundos de imagens habitando as coisas mais minúsculas, suficientemente ocultas e significativas para encontrarem um refúgio nos sonhos diurnos, e que agora, tornando-se grandes e formuláveis, mostram que a diferença entre a técnica e a magia é uma variável totalmente histórica.” Em “Breve história da fotografia”, OE1, pp. 94-95.

A geração que conheceu o início e a ascensão vertiginosa da internet participou do debate, polarizado em duas vertentes extremas, entre os detratores da rede mundial de computadores (que a acusavam de tornar o ser humano cada vez menos que um objeto, um simples invólucro, sem conteúdo algum) e os seus apologistas (que saudavam a novidade como a última chave que libertaria os homens dos grilhões do tempo e do espaço). Enquanto o debate acerca da internet permanece entre esses dois polos ele é incapaz de produzir conhecimento que nos sirva à vida; mas existiria um modo de lidar com um fenômeno social radicalmente novo, encarnado em uma novidade tecnológica, ou coisa que o valha, que conseguiria transcender a mera disputa por sua permanência ou dissolução?

Certa vez, ao discorrer a respeito das tecnologias do mundo moderno e da Indústria Cultural, o escritor Umberto Eco afirmou que havia dois tipos de pensadores: os “apocalípticos” e os “integrados”.[1] Aqueles que veem no mundo moderno uma constante ameaça, cujas inovações tecnológicas invocariam a imagem do fim dos tempos, foram classificados como apocalípticos, pois a única solução para estes seria a extinção da vida tal qual a conhecemos. Os que veem, no entanto, nesse mundo, apenas a imagem gloriosa do fim da luta humana pela emancipação, da vinda do reino da tão esperada felicidade, foram denominados integrados, pois estariam em tamanha concordância com a vida contemporânea, que não lhes restaria nenhum senso crítico com relação a ela, nenhum indício da vontade de mudança. Continuar lendo

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Acordamos em 1964

 

Algo que háa muito tempo já vem sendo apontado, o autoritarismo de Estado brasileiro, teve no último final de semana (com o fim da copa da FIFA) seu momento de maior avanço nos últimos tempos. Com 19 presos políticos no sábado (12/07) e cerceamento dos direitos de se manifestar e de ir e vir (lembrem-se, garantidos pela constituição) durante ato no domingo (13/07). O Estado pôs acima dos direitos básicos da população a realização de um evento que visa o lucro de diversas entidades privadas e que deixa como legado um abismo ainda maior entre a cidade e aqueles que nela vivem.

Acordamos em 64, mas não porque militares tenham tomado o poder, e sim porque o Estado, através dos seus aparelhos de repressão continuam ao lado (e em favor) do Capital.

E a cada dia há mais prisões arbitrárias, e a cada direito cerceado, e a cada grito que calamos ficamos mais perto de um Estado de exceção absoluto.

Ato pela libertação de todos os presos políticos.

Ato pela libertação de todos os presos políticos.

Se manifestar não é crime! Por isso, hoje (15/07) vamos todos ao ato exigindo a libertação de todos os presos políticos, fim de toda perseguição e anistia de todos os processos.

Quando : 15/07
Onde: Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (Av. Presidente Antônio Carlos – Centro)
Horário : 17h

 

 

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Imagens da ditadura

Para fechar o Dossiê Golpe e Ditadura, fizemos uma seleção de fotos icônicas do período. Das manifestações aos generais, dos momentos de beleza aos de dor, imagens que nos perseguem ou inspiram. Imagens que valem lembrar do período que não podemos esquecer.

Clique nas fotos para vê-las em sequência e em maior resolução.

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Nota de repúdio às prisões arbitrárias que ocorreram hoje, 12/07

Na manhã de hoje, dia 12 de julho de 2014, a partir das 06:30, a Polícia Civil do Rio de Janeiro invadiu as casas de militantes, realizando prisões e apreensões de aparelhos de comunicação. Pelo menos 19 militantes já foram presos, incluindo uma prisão realizada em Porto Alegre, e estão sendo interrogados na Cidade da Polícia, mas há nove foragidos e o número total de alvos pode chegar a 60 pessoas. As acusações ainda não foram divulgadas, mas já a sua punição provisória: Cinco dias de prisão temporária.

Repete-se, assim, na véspera da final da Copa do Mundo em escala ampliada a operação do dia 11 de junho, véspera da abertura do mesmo evento. A coincidência não é casual, a polícia bota mais uma vez em prática uma nova estratégia de repressão preventiva a protestos, atacando diretamente parte da militância e buscando intimidar o seu conjunto. Pretende, dessa forma, alcançar dois objetivos: 1) Assegurar a realização dos grandes eventos que são alçados à condição de prioridade pública, acima de qualquer garantia constitucional; 2) Passar da punição a granel dos cassetetes e bombas para a punição jurídica exemplar. Militantes são presos sob os pretextos mais frágeis, punidos preventivamente e indiciados de acordo com o resultado dos próprios mandados. São expostos depois ao circo da mídia, convocada a aplaudir o absurdo em coletiva de imprensa já anunciada pela Polícia e para a qual já foram barrados os representantes da mídia alternativa.

Mais uma vez as diversas esferas do Estado se coordenam para a criminalização da crítica aos seus projetos. Esta criminalização se encaminha para a bizarra condenação preventiva e a formação de listas negras de alvos perenemente sob a ameaça de investigação e prisão. A militância do Rio de Janeiro precisa reagir e se articular para resistir a mais esse ataque e poder prestar toda o apoio e assistência às vítimas desses processos absurdos. É crucial que todos os movimentos busquem esse objetivo.

E não podemos permitir que esta estratégia seja bem-sucedida em nenhum dos seus objetivos. Para tanto, é fundamental a presença no ato de amanhã, às 13h, na praça Saens Peña, na Tijuca.

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