Coronelismo na educação ou “Magé, ryca Magé”

Existe uma cidade, muito grande territorialmente, muito antiga, presente em váááários momentos da história do Brasil e do estado do Rio de Janeiro. Nessa cidade vivem muitas pessoas legais. Vivem também pessoas nem tão legais assim, que acham que são donos da cidade, como aqueles coronéis que a gente vê nas novelas da 18:00. A cidade se chama Magé, coladinha com Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Os prepotentes “donos” são alguns políticos, tanto aquela família que foi expulsa por corrupção – os Cozzolino – quanto o grupo do atual prefeito, o Nestor Vidal, do PMDB na época da eleição. E eles parecem ter um prazer especial em mostrar pra educação pública quem é que manda naquele feudo. Vamos ver o que os educadores da cidade estão passando? Continuar lendo

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Raça e Racismo

Naturalizamos tanto a categoria “raça” em nosso vocabulário e cotidiano que é difícil muitas vezes entender a negação de muitos pesquisadores das ciências biológicas e humanas a essa categoria. Continuar lendo

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Como e Por Que a Educação Pública Brasileira está morrendo? Algumas respostas

Não é novidade para ninguém que a educação pública brasileira e seus profissionais encaram dificuldades que parecem cada vez mais numerosas e maiores. Este texto foi pensado a partir do debate com pessoas que não trabalham com a educação, mas que não faziam ideia da sensação de esgotamento (ou simplesmente fim) da educação que os educadores vêm sentindo na última década. É comum falarem que “A educação está morrendo é um exagero!” Será?

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Infanticídio Indígena, campanha de atualização de preconceitos e disseminação de ódio.

Texto escrito por Rita Santos.

O infanticídio indígena vem frequentemente sendo noticiado na mídia como um problema a ser combatido. Localizamos de modo mais ou menos uniforme matérias em grandes veículos da mídia brasileira, como Fantástico, Veja, Isto É, Folha de São Paulo, publicadas entre 2007 e 2015. Essas notícias, em geral, foram inspiradas em uma grande campanha inaugurada a partir do projeto de lei de criminalização do infanticídio indígena, de 2007, apresentado pelo deputado federal Henrique Afonso (PT/AC) naquele mesmo ano.

Relatado desde o começo da colonização, o infanticídio entre os indígenas foi sendo erradicado pouco a pouco do contexto cultural brasileiro. Hoje, nem a Funai (Fundação Nacional do Índio), nem a Funasa (Fundação Nacional de Saúde), tampouco o movimento indígena brasileiro reconhecem no infanticídio uma prática regular entre as populações indígenas que habitam o Brasil e para qual seja necessária uma medida preventiva.

crédito: Fábio Nascimento

crédito: Fábio Nascimento

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Lutas indígenas pela efetivação da educação escolar indígena

Sala de aula de escola indígena no Tocantins.

Sala de aula de escola indígena no Tocantins.

*Texto escrito por Tonico Benites, antropólogo.

Este texto apresenta a história do movimento das lideranças Guarani e Kaiowá pela implementação da educação escolar indígena no atual Território Etnoeducacional Cone Sul de Mato Grosso do Sul. Para escrevê-lo, usei a bibliografia que trata da história geral da introdução de educação escolar nos Postos ou reservas indígenas Guarani e Kaiowá e, em parte, me centrei nos trechos dos documentos indígenas dos representantes dos professores e lideranças Guarani e Kaiowá.

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A ofensiva do Congresso e seus ruralistas contra a organização dos povos indígenas

Os indígenas do Brasil consagram vitória importante nos dias que correm. Frutifica nova forma de organização entre povos muito diversos, conquista difícil de apagar. E é nesse contexto que velhos inimigos somam forças para esmagar resistências, desmontar instrumentos da política indígena e envenenar aliados importantes.

Para os índios desta terra, forças e mecanismos do Estado declaram guerra. Continuar lendo

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Afinal, o que está acontecendo na Grécia?

* Texto escrito em colaboração com Ivan Martins

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A Grécia em disputa.

Temos ouvido falar muito sobre a Grécia nos últimos meses. Vários textos têm circulado pelas redes sociais e blogs. Mas o que afinal esta acontecendo por lá? Esse texto pretende auxiliar o leitor de primeira viagem no assunto a esclarecer um pouco essa pergunta.

A dívida e a União Europeia

Muitos governos, inclusive dos países desenvolvidos, vivem constantemente em déficit financeiro. Isso quer dizer que muitas vezes há uma diferença entre as receitas e o que realmente se precisa utilizar. Quando isso acontece é comum que esses países recorram a empréstimos, a Grécia é um desses países.

A Grécia compõe a União Europeia desde 1981 e a Zona do Euro a partir de 2001. Pertencer a esses grupos proporciona algumas vantagens, entre elas a facilitação de empréstimos pela UE a fim, supostamente, de diminuir a desigualdade econômica entre seus países membros. O argumento para esse esquema era simples, a UE e bancos privados emprestariam dinheiro, o país usaria o dinheiro para se desenvolver e assim teria meios de pagar a dívida.

Com a crise em 2008 esse plano “perfeito” desce pelo ralo. A dívida de muitos países tanto do setor público como privado torna-se impagável, com os títulos da dívida virando os famosos papéis podres. A Grécia ficou, assim, sob suspeita de não conseguir pagar suas dívidas, e em 2010 a suspeita se tornou confirmação.

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“Por que o marxismo não é oposto ao feminismo?” Ou “Quatro razões para se pensar um feminismo marxista”.

Muito se fala sobre uma pretensa incapacidade do marxismo em explicar e apontar respostas para algumas questões sociais que não parecem estar ligadas diretamente ao princípio básico da luta de classes no campo econômico, como as opressões sofridas por mulheres, negros, homossexuais e transgêneros.

Feminismo marxista

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Greve na educação federal (e outras greves): um movimento oportuno e necessário

Por Marcelo Badaró Mattos, professor da UFF.

O movimento sindical é muitas vezes limitado a um horizonte imediato de reivindicações econômicas dos trabalhadores que representa. Não poderia ser diferente e nem se pode esperar que sindicatos não apresentem demandas econômicas, pois elas são no mais das vezes justas e são o eixo central da razão de ser dessas organizações de defesa da classe contra a exploração do capital. Porém, se mantiverem-se rigorosamente limitados às reivindicações econômicas, os sindicatos perdem força e fracassam no que diz respeito a seu potencial de conscientização e mobilização, pois a superação da exploração a que está submetida a classe trabalhadora não será alcançada por um somatório de conquistas econômicas, mas apenas por uma transformação social global. Continuar lendo

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Walter Benjamin, o marxismo e a história: 5 questões fundamentais

Walter Benjamin

Walter Benjamin*

Texto escrito por Rafael Vieira, doutorando em Direito.

O marxismo de Walter Benjamin é de fato bastante singular. Seu contato mais aprofundado com a obra de Marx e com o marxismo enquanto uma filosofia da práxis (a expressão é de Gramsci, não de Benjamin) ocorre em 1923-1924 por uma conjunção de fatores que vão desde a leitura da obra de Lukács “História e Consciência de Classe”, suas discussões com a militante comunista letã Asja Lácis e também em função de perceber na obra de Marx um poderoso instrumento de crítica ativa ao aprofundamento das contradições sociais na República de Weimar depois da derrota dos setores combativos do movimento dos trabalhadores no ciclo revolucionário alemão que se abre em 1918-1919.
Embora a partir de 1923-24 seu pensamento ganhe novos contornos com Marx, a crítica ao capitalismo e à civilização industrial moderna aparecem em alguns de seus textos desde 1915 pelo menos, sendo uma espécie de fio condutor de sua obra. Essa crítica é feita nesse primeiro momento a partir de uma associação complexa entre um romantismo revolucionário e uma interpretação particular do messianismo judaico, referências essas que não desaparecem (embora sejam reposicionadas) depois do contato com Marx e alguns de seus intérpretes. Nesse breve texto, o objetivo é tocar em alguns pontos que considero importantes na relação de Benjamin com a obra de Marx e com algumas correntes distintas do marxismo. A ideia é levantá-los como aspectos essenciais de uma agenda de pesquisa e como temas centrais de debate, sem qualquer pretensão de esgotá-los. Continuar lendo

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